Pai espiritual

março 17, 2024

Mãos cruzadas

"Retomando a caminhada, tornou-se dolorosamente consciente de que também ele não passava de um solitário peregrino na escuridão desta Terra…
 
Embora fosse amargo tal reconhecimento, sentiu-se refrescado e revigorado.   Na metade do caminho lembrou-se de Abu Ahmed. Tinha de ir até ele ainda.   Era impossível viajar sem despedir-se desse bondoso homem velho. 

Mal Jean chegara à casa do sábio, quando a porta já se abria e o fiel Saleh fazia um gesto convidativo com a mão. Abu Ahmed estava de pé no meio do quarto, respirando como que aliviado, quando Jean entrou. 

Jean ficou parado, estupefato. Uma capa preta cobria quase totalmente a vestimenta branca do velho.
O que significava tal vestimenta solene a essa hora matutina? Um turbante branco?… 

Abu Ahmed sorriu quase imperceptivelmente ao ver a surpresa de Jean; a seguir, fazendo um gesto suave com a mão, disse: 
— Jean, meu filho, vou-me embora… Deves viver sempre de tal modo, que as bênçãos do Todo-Poderoso, do Misericordioso, possam atingir-te!…

Jean, comovido, ajoelhara-se, apertando a testa de encontro à mão de seu pai espiritual.

De repente soube o que as palavras 'vou-me embora' significavam. Abu Ahmed, porém, não lhe deixou tempo para que se entregasse a sentimentos de dor ou tristeza. Colocou a mão sobre a cabeça do ajoelhado, abençoando-o em nome de Deus.
Dirigiu-se depois ao leito, conduzido por Saleh, e deitou-se. 
Jean sentou-se num banquinho ao lado da cama, aguardando." 

África e seus Mistérios, de Roselis von Sass 


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