
Sibélia Zanon
Desde o nascimento e pela vida toda carregamos uma cicatriz. O marco centralizado no corpo divide o abdômen em quatro partes, à altura do disco que se insinua entre as vértebras L3 e L4.
A cicatriz indica o local onde um dia esteve implantado um cordão umbilical, rio trafegando sais minerais, vitaminas, oxigênio e glicose entre mãe e feto — porta para a vida.
“O umbigo marca nossa ligação com a Terra e com todos os seres vivos, e não apenas com o corpo de nossa mãe”, sugere o filósofo Emanuele Coccia.
Assim como o umbigo, também o ato de cuidar é gerador da vida. Sem o cuidado não haveria sobreviventes: o primeiro choro inaugura a dependência radical por um provedor de afeto e leite. E essa dependência, palavra culturalmente carregada de estigma e negatividade, faz-se alicerce para a potência e o desenvolvimento.
Com o alicerce desenhado, somos convidados a ousar passos de independência.
E, embora tais passos sejam saudáveis e necessários, a ode à autonomia costuma ofuscar o sortimento de cuidados que nos cercam ao longo de toda a vida — muitas vezes expressos na simplicidade generosa de uma palavra ou de um prato de comida quente.
O cuidado circula por toda parte. O invisível guarda muitos cuidados. Basta pensar que, na materialidade dos corpos, uma ferida pode ser fechada, a exemplo da…
“... que devo eu fazer para realmente andar direito!
Esse intuir atormenta muitos, visto que o ser humano procura tornar tudo mais complicado do que realmente é. Precisa...”
Abdruschin, Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal
“O destino do ser humano, assim como o do povo e, por fim, de toda a humanidade, é comparável a um trem que se encontra parado, esperando, numa linha férrea de uma só via, diante de um entroncamento de ferrovias para todas as direções.”
Abdruschin, Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal

