Apenas Hóspedes

março 31, 2026


“No quarto dia após o sepultamento, Triakoh tirou as duas tochas da entrada do palácio. O portal novamente estava aberto, e os amigos chegavam até a casa. Normalmente esse dia deveria ser passado festivamente. Ter-se-iam dedicado à música e a cantos, relembrando-se do falecido, que, juntamente com seus espíritos acompanhantes, já estaria a caminho de um outro país. No fim do dia, teria chegado um contador de histórias para apresentar sagas antigas e verídicas. Poderia também ter acontecido que um sábio ou sacerdote aparecesse, narrando fatos desenrolados entre o grande povo dos entes da natureza. De qualquer forma teriam passado horas em convívio alegre, horas que, ao mesmo tempo, lembravam a cada um que eram apenas hóspedes nos mundos dos planetas… Alguns durante um tempo mais curto, outros, mais longo!”

Roselis von Sass,  A Desconhecida Babilônia

Saiba mais aqui




Leia Também

Os vários corpos

março 22, 2026


“‘— Bem sabes que nós, além do nosso corpo visível, temos ainda um corpo invisível, não um, mas vários. Aquilo que vive em todos esses corpos é o nosso espírito. Isto bem sabes. Ensinei-te também que, quando passamos desta Terra, deixamos para trás apenas o corpo visível.’”


Lao-Tse,  Coleção o Mundo do Graal

Leia Mais
A Natureza e as Leis da Criação

março 14, 2026


Ao contrário do que ocorre com as leis terrenas, as leis da natureza não admitem exceção, pois se a  admitissem não seriam perfeitas.


Reflexões sobre Temas Bíblicos, Fernando José Marques

Leia Mais
Habitar-se por inteiro

fevereiro 21, 2026


Sibélia Zanon

Desde o nascimento e pela vida toda carregamos uma cicatriz. O marco centralizado no corpo divide o abdômen em quatro partes, à altura do disco que se insinua entre as vértebras L3 e L4.

A cicatriz indica o local onde um dia esteve implantado um cordão umbilical, rio trafegando sais minerais, vitaminas, oxigênio e glicose entre mãe e feto — porta para a vida.

“O umbigo marca nossa ligação com a Terra e com todos os seres vivos, e não apenas com o corpo de nossa mãe”, sugere o filósofo Emanuele Coccia.

Assim como o umbigo, também o ato de cuidar é gerador da vida. Sem o cuidado não haveria sobreviventes: o primeiro choro inaugura a dependência radical por um provedor de afeto e leite. E essa dependência, palavra culturalmente carregada de estigma e negatividade, faz-se alicerce para a potência e o desenvolvimento.

Com o alicerce desenhado, somos convidados a ousar passos de independência.

E, embora tais passos sejam saudáveis e necessários, a ode à autonomia costuma ofuscar o sortimento de cuidados que nos cercam ao longo de toda a vida — muitas vezes expressos na simplicidade generosa de uma palavra ou de um prato de comida quente.

O cuidado circula por toda parte. O invisível guarda muitos cuidados. Basta pensar que, na materialidade dos corpos, uma ferida pode ser fechada, a exemplo da…

 

Leia Mais