Casa acolhedora

março 28, 2026



A Terra, recém-saída de seus longos processos de formação, era ainda um organismo vibrante, atravessado por forças que se equilibravam como notas firmadas após uma grande tempestade. A natureza se tornava madura para abrigar novos visitantes. Cada vale, cada fonte e cada floração eram frutos de trabalho cuidadoso e paciente dos protetores das águas, das florestas, dos solos, dos ares.

Era como se a Terra, jovem e sábia, estivesse arrumando a casa para a chegada de hóspedes, deixando tudo na medida exata para permitir crescimento, experiência e aprendizado.

A composição química dos oceanos e solos era rica em elementos que sustentavam organismos vivos. A distância do Sol mantinha temperaturas que possibilitavam à água permanecer líquida. A atmosfera atuava como um véu, conservando o calor necessário para a estabilidade climática. Uma lua grande agia no eixo do planeta, evitando variações bruscas nas estações.

O conjunto harmonioso despertava afeto em todo ser vivo — planta, bicho ou gente — que passou a compartilhar aquele lugar.


“Enquanto os seres humanos seguiam as leis da Criação, a Terra era um planeta onde morava a felicidade. Qualquer espécie de inimizade era desconhecida! Os seres humanos e os animais amavam-se mutuamente. Não importando de que espécie fossem. As expressões ‘fera’ e ‘animal selvagem’ eram totalmente desconhecidas. Pois todos, sem exceção, eram mansos. Os seres humanos respeitavam os costumes de vida dos animais, assim como esses também respeitavam a maneira de vida dos seres humanos.

O animal não conhece inimizade. Nem hoje. Pois não está na sua espécie. Mas conhece o medo. Chegou a conhecê-lo sob dores. Medo das incompreensíveis criaturas humanas, de sua crueldade e de suas terríveis armas. Levou muito tempo até que os animais aprendessem a fugir dos outrora tão queridos seres humanos e medrosamente se escondessem… Sem esse ‘medo protetor’, certamente hoje não existiria mais nenhum animal na Terra…

Quando atualmente um animal ataca, isto nunca ocorre por inimizade, mas sim por medo dos seres humanos, visto sentir-se ameaçado, constantemente, por eles.”

Roselis von Sass, Os Primeiros Seres Humanos

 



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