"Maon levantou-se, puxou a cortina da porta para o lado e saiu. Ele olhou para Kadaschman, Triakoh e o jovem aluno que continuava segurando a cesta, a seguir olhou ao redor, procurando. Onde estava Alaparos? A presença dele era necessária. Quase no mesmo momento chegava o jovem, que ficou aguardando. Maon viu o sereno e confiante olhar e também o brilho no rosto de Alaparos. Com essa constatação seu próprio coração ficou aliviado, e os pensamentos pesados dissolveram-se em nada.
Scham-Haran tirou da cesta um recipiente que continha um pavio, e acendeu-o. Logo depois se evolaram refrescantes e vivificantes nuvens aromáticas. Não demorou muito e ondas desse perfume perpassavam todo o palácio, e por toda a parte seus moradores cruzavam as mãos sobre o peito, inalando fundo a maravilhosa dádiva. A tristeza e a melancolia das últimas horas afastavam-se de seus ânimos, e o fluxo da vida parecia fluir novamente sem turvação."
Roselis von Sass, A Desconhecida Babilônia

“— Tua resposta foi correta. Teu pai, depois da morte, será espírito e alma. Não obstante, continuará a ser o mesmo. A perda do corpo terreno não modifica seu espírito e sua alma! Sentirá por ti o mesmo amor como até agora, e tu também sempre te lembrarás dele com amor. ”

Era um domingo à noite. Eu estava sozinha na sala, sentada no sofá, e já ia levantar-me para cuidar de alguns preparativos para o dia seguinte. Mas, subitamente, fui surpreendida por um perfume: intenso, inebriante, incontornável. Busquei na memória e encontrei: “jasmim”. Olhei para as persianas fechadas e me perguntei como aquele aroma as teria transposto; além disso, de onde poderia provir, pois não havia jasmineiros próximos ao prédio. Ainda assim, o perfume era real, indubitável — eu tinha certeza de que, em algum lugar, os jasmins existiam.
Meus pensamentos percorreram experiências semelhantes, em que algo intangível alcança a percepção, mas não se consegue identificar sua origem, ou mesmo comprovar sua existência. Um sentimento de afeto…
