Ler marés

fevereiro 13, 2020

Postal - Texto de O Vaga-Lume


“ ‘Seguro está somente o ser humano vigilante! ’ disse Sargon com ênfase. ‘Unicamente com vigilância, os perigos podem ser afastados a tempo. Quem pensa ser tão bem protegido, que não precise, ele mesmo, prestar atenção, é um tolo!’ ”

Roselis von Sass, A Grande Pirâmide Revela seu Segredo

Dia desses, eu caminhava pela praia quando vi plaquinhas vermelhas indicando perigo no mar. Fiquei intrigada ao imaginar qual seria a metodologia usada para adivinhar o perigo. Entrar pelo mar e fazer uma varredura de marés seria complicado. Caminhar pelas profundezas em busca de buracos e depressões na areia seria ameaçador. Poderiam drones e computadores ser úteis nessa situação?

No auge das elucubrações vi um guarda-vidas instalando uma nova placa e notei que aquela era a minha chance.

— Está vendo o jeito das ondas? ele perguntou. — Quando elas vêm desde longe regulares e espumando, está tudo bem. Quando elas vêm mais altas, sem arrebentar, e só quebram aqui perto é porque a correnteza está brava.

O guarda-vidas apontava para uma típica onda rebelde, tentando me ensinar a ler o perigo. Outros mares viriam e nem sempre as placas estariam de prontidão.

Somos dotados de uma porção de sentidos para ler cada circunstância e compreender o que se passa ao redor, para nos proteger. E, muitas vezes, a vida parece mesmo se ocupar em colocar umas placas vermelhas indicadoras pelo caminho. Mas nem sempre estamos aptos para reconhecê-las.

Isso lembra o livro ilustrado O anjo da guarda do vovô, de Jutta Bauer. Lá, o vovô conta para o neto histórias vividas. Enquanto o texto escrito narra as façanhas do avô desde cedo e mostra como ele era arrojado na infância, trepava em árvores altas e mergulhava nos lagos mais profundos, a ilustração revela o outro lado da história. Sempre, nas diferentes situações, existia um anjo da guarda por perto, cuidando de seu protegido, e evitando, com tremendo esforço, grandes catástrofes. Quando o menino mergulhava no lago profundo, o anjo da guarda puxava-o para cima e, quando trepava na árvore alta, o anjo da guarda se ocupava em amaciar a queda.

A experiência na praia me fez pensar que não precisamos mergulhar em todo tipo de perigo para comprovar sua existência, mas precisamos aprender a ler as ondas. Ler as ondas, ler a vida e… torcer para as plaquinhas vermelhas, os guarda-vidas e os anjos da guarda não se cansarem da nossa falta de aptidão.

 



Leia Também

Guardião de seu destino

outubro 01, 2022

Figura humana caminhando, imagem de pernas, em trilha aberta de capim rasteiro ao brilho de luz tímida.

“Uma pessoa que reconhece seus erros e que se liberta deles o mais breve possível nunca poderá cair no abismo! Apenas temos de ser sempre vigilantes, a fim de não perdermos o caminho para a felicidade celeste. Cada ser humano há de se tornar guardião de seu destino! Guardai isso bem! Cada um para si…”

Roselis von Sass, Sabá, o País das Mil Fragrâncias
Leia Mais
Cooparticipar

setembro 27, 2022

Foto de flor branca em fundo escuro, iluminada por luz de fundo a esplandecer.

Entretanto, também pode dar-se o contrário; podeis contribuir também, e mais fortemente ainda, para a paz e a bem-aventurança da humanidade, podeis, mediante pensamentos puros e alegres, coparticipar das obras que através de vós são realizadas por pessoas, mesmo distantes. 
Eis logicamente por que motivo aflui sobre vós também a bênção, sem que saibais a razão de a receberdes.” 

Abdruschin, Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal
Leia Mais
Desprender

setembro 25, 2022

Ilustração de flor azul


Podemos até achar que somos livres, como uma pipa ao vento. Mas, se prestarmos atenção, talvez estejamos ainda ligados por um fio a valores que precisam ser deixados ou reformulados.

Leia Mais