
Daniela Schmitz Wortmeyer
Ao observar os primeiros passos de uma criança, vislumbramos princípios que norteiam o desenvolvimento durante toda a vida. Para aprender a caminhar, é preciso passar por várias etapas: desde os primeiros esforços para erguer a cabeça, sustentar o corpo na posição sentada, rastejar pelo solo, engatinhar, até o ensaio dos primeiros passos… Trata-se de um processo que envolve experimentação, tentativas e erros, em que as capacidades da criança vão sendo gradualmente desenvolvidas. Seus esforços costumam ser acolhidos com naturalidade, compreensão e apoio, e cada nova possibilidade explorada se torna motivo de alegria.
Com o passar do tempo, porém, passamos a enfatizar certos indicadores de “sucesso”, deixando de valorizar o processo pelo qual foram alcançados. Assim, tirar notas altas pode-se tornar mais importante do que realmente aprender. Os “insucessos” passam a acarretar desapreço e punição, enquanto os êxitos são associados à estima e à recompensa. Dessa forma, tiramos o foco das nossas autênticas necessidades de desenvolvimento, e passamos a perseguir padrões externos de realização – em termos de aparência física,status social, resultados financeiros e realizações materiais –, fazendo comparações e tornando-nos constantemente ansiosos e insatisfeitos.
Nesse contexto, as pessoas tendem a evitar admitir dificuldades e insucessos, diante do receio de se sentirem inferiores e menos estimadas. Esquivam-se, assim, de abordar com franqueza aspectos que lhes poderiam trazer valiosas oportunidades de aprimoramento. Por outro lado, podem tornar-se excessivamente autocríticas, tratando as próprias falhas de maneira implacável, o que também impede uma abordagem construtiva voltada ao próprio desenvolvimento.
No livro Autocompaixão, a psicóloga Kristin Neff observa: “Podemos pensar no fracasso como parte do aprendizado de vida. Se fôssemos perfeitos e tivéssemos todas as respostas, nunca iríamos começar a fazer perguntas e não seríamos capazes de descobrir novidades”. Em sua análise, pessoas que acolhem os próprios erros com naturalidade tornam-se mais bem-sucedidas no longo prazo, pois se sentem mais livres para perseguir suas metas com criatividade, confiança e resiliência, abordando dificuldades de forma objetiva, explorando novas abordagens e buscando ajuda e orientação quando necessário.
A despeito do número de anos vividos, é possível resgatar a naturalidade infantil em nossa caminhada: ao invés de lamentar eventuais quedas e frustrações, assimilar os aprendizados proporcionados pelas vivências e experimentar novamente, buscando gradualmente aprimorar nossas capacidades. Afinal, somos todos aprendizes perpétuos, expandindo continuamente nossas possibilidades de compreensão da Vida e de atuação no Universo.

“Se ousar, então, dar o primeiro passo confiante na vitória da boa vontade, o nó fatídico se abrirá, passará por ele e estará livre disso.”

“E se pensardes que essa possibilidade de falar, isto é, vossa capacidade de formar palavras, as quais ancoram através do falar vossa vontade à matéria grosseira, constitui uma dádiva extraordinária de vosso Criador...”
Abdruschin, Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal