“‘Sublime e misteriosa Esfinge, dize-me: Qual é a hora que o relógio do Universo anuncia?’
Depois dessa pergunta, acordei. E em meu coração havia, realmente, medo e preocupação.
A jovem Biltis tinha lágrimas nos olhos, quando o rei silenciou. Também Petosiris estava profundamente comovido. Ele olhou pensativamente para o quadro em alto-relevo, formulando então, espontaneamente, a pergunta:
— Qual é a hora que o relógio do Universo anuncia? Será que ainda tenho tempo de libertar-me daquilo que não vibra em harmonia dentro de mim?…”
Roselis von Sass, Sabá, o País das Mil Fragrâncias
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“Não havia, em todos esses países, uma única solenidade nos templos, não importando de que espécie fosse, que não utilizasse a mistura de fragrâncias de Sabá. As resinas aromáticas eram espalhadas em forma de grãozinhos sobre os incensórios sempre preparados. A fumaça que se elevava deveria indicar que os pensamentos das pessoas reunidas, preparadas para a devoção, estavam igualmente dirigidos para cima.”

Era um domingo à noite. Eu estava sozinha na sala, sentada no sofá, e já ia levantar-me para cuidar de alguns preparativos para o dia seguinte. Mas, subitamente, fui surpreendida por um perfume: intenso, inebriante, incontornável. Busquei na memória e encontrei: “jasmim”. Olhei para as persianas fechadas e me perguntei como aquele aroma as teria transposto; além disso, de onde poderia provir, pois não havia jasmineiros próximos ao prédio. Ainda assim, o perfume era real, indubitável — eu tinha certeza de que, em algum lugar, os jasmins existiam.
Meus pensamentos percorreram experiências semelhantes, em que algo intangível alcança a percepção, mas não se consegue identificar sua origem, ou mesmo comprovar sua existência. Um sentimento de afeto…
