A Árvore do universo

março 25, 2023

Ilustração abstrata azul e roxa


As árvores são fontes de frutos e simbologias. As raízes profundas e os galhos abertos conectam chão e céu. Algumas destacam-se na paisagem, podendo ser ponto de referência e bússola para o viajante e comunicação para os povos da floresta.

Assim acontece, por exemplo, com as grandes sumaúmas. Chamadas por alguns de mãe da floresta ou escada para o céu, elas podem alcançar os 70 metros de altura. Por meio da batida em suas sapopemas, ou raízes aéreas, indígenas se comunicam. 

Em muitas tradições fala-se sobre a árvore do mundo ou árvore da vida, relacionando-a a uma força sagrada.

Roselis von Sass conta no livro A Grande Pirâmide Revela seu Segredo que no reino dos grandes seres da natureza há uma árvore extraordinária, conhecida por árvore do Universo. Ela se faz ponte e pulsação entre ser humano e natureza.

“Seu tronco compõe-se de vários troncos gigantes, e seus galhos cobririam nosso pequeno planeta Terra, tão grande ela é. É uma árvore isolada, no meio de uma planície de musgo verde-brilhante, como veludo. A folhagem também é verde. Aliás, de um verde indescritivelmente belo e brilhante. O colossal tronco, que nem cem pessoas poderiam abraçar, é vermelho, e vermelhas são também as suas maravilhosas flores. Os frutos áureos amadurecem dentro das grandes flores vermelhas. As cores dessa árvore têm sons. Sua irradiação assemelha-se a transparentes véus de neblina de ouro.

O mistério dessa árvore única, porém, encontra-se nas raízes. Essas raízes, cujas extremidades penetram em todo o nosso sistema planetário, são transparentes como vidro, possuindo dupla função. Estão ao mesmo tempo dando e recebendo.

Essa árvore também é denominada, muitas vezes, ‘árvore da vida’, pois a força do amor dos mais altos e mais fortes dschedjins, que criaram e continuam criando nossos mundos, flui doando através dos incontáveis e misteriosos canais de raízes.

Essa força liga os seres humanos terrenos à pulsação da natureza, proporcionando-lhes calor e ardor.”



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Estar vivo implica em ser afetado e afetar, em seguir o fluxo entre as pedras, fazer a curva junto do rio e emitir novos sons que reverberam no mundo.

“O bem-viver para nós é aceitar o ambiente como ele é. É aceitar a árvore torta que está ali e aceitar a pedra que está ali. Se o rio está meio torto, deixa. É a maneira que ele surgiu. Não dá para fazer ele reto”, diz Carlos Papá, indígena do povo Guarani Mbya, que tem a Mata Atlântica como casa.

Aceitar a pedra e seguir se relacionando com ela…

 

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