Servir e ajudar

dezembro 12, 2023

Pintura egipsia de uma pessoa oferecendo uma xicara

"— Tens razão, meu príncipe, disse El-Ar, provavelmente é a maior felicidade terrena poder salvar uma pessoa da morte certa, com o risco da própria vida. Tais oportunidades apresentam-se raramente. Mas também o poder servir e ajudar os semelhantes proporciona ventura. Exatamente essa felicidade um soberano sempre poderá obter para si, desde que tenha boa vontade e seja na realidade um faraó, um pai do seu povo.
— Eu quero tornar-me assim, assegurou o príncipe com seriedade. Acredita-me, El-Ar, agora começo a ver a vida com mais clareza; desperta em mim o desejo de ser para o povo mais do que apenas um soberano."

Aspectos do Antigo Egito,
Coleção o Mundo do Graal


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Perfume mensageiro

julho 18, 2026


Era um domingo à noite. Eu estava sozinha na sala, sentada no sofá, e já ia levantar-me para cuidar de alguns preparativos para o dia seguinte. Mas, subitamente, fui surpreendida por um perfume: intenso, inebriante, incontornável. Busquei na memória e encontrei: “jasmim”. Olhei para as persianas fechadas e me perguntei como aquele aroma as teria transposto; além disso, de onde poderia provir, pois não havia jasmineiros próximos ao prédio. Ainda assim, o perfume era real, indubitável — eu tinha certeza de que, em algum lugar, os jasmins existiam.

Meus pensamentos percorreram experiências semelhantes, em que algo intangível alcança a percepção, mas não se consegue identificar sua origem, ou mesmo comprovar sua existência. Um sentimento de afeto…

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Habitar-se por inteiro

fevereiro 21, 2026


Sibélia Zanon

Desde o nascimento e pela vida toda carregamos uma cicatriz. O marco centralizado no corpo divide o abdômen em quatro partes, à altura do disco que se insinua entre as vértebras L3 e L4.

A cicatriz indica o local onde um dia esteve implantado um cordão umbilical, rio trafegando sais minerais, vitaminas, oxigênio e glicose entre mãe e feto — porta para a vida.

“O umbigo marca nossa ligação com a Terra e com todos os seres vivos, e não apenas com o corpo de nossa mãe”, sugere o filósofo Emanuele Coccia.

Assim como o umbigo, também o ato de cuidar é gerador da vida. Sem o cuidado não haveria sobreviventes: o primeiro choro inaugura a dependência radical por um provedor de afeto e leite. E essa dependência, palavra culturalmente carregada de estigma e negatividade, faz-se alicerce para a potência e o desenvolvimento.

Com o alicerce desenhado, somos convidados a ousar passos de independência.

E, embora tais passos sejam saudáveis e necessários, a ode à autonomia costuma ofuscar o sortimento de cuidados que nos cercam ao longo de toda a vida — muitas vezes expressos na simplicidade generosa de uma palavra ou de um prato de comida quente.

O cuidado circula por toda parte. O invisível guarda muitos cuidados. Basta pensar que, na materialidade dos corpos, uma ferida pode ser fechada, a exemplo da…

 

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Sementes da Atuação

dezembro 11, 2025


“Quando fazemos algo de bom ou de ruim a outras pessoas, estamos fazendo para nós mesmos. A importância da atuação inexorável da lei da reciprocidade em nossas vidas é tão significativa...


Fernando J. Marques, Reflexões sobre Temas Bíblicos, Coleção o Mundo do Graal

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