Vivemos em épocas de cheias.
Cheios de informação.
Cheios de compromissos
Cheios de preocupações.
Cheios de ideias.
Cheios de opiniões.
Cheios de certezas.
É como se o nosso interior fosse constantemente inundação.
Sem o vazio, sem a vazante, sem o silêncio,
a paisagem interior perde a saúde e a luz natural.
Sibélia Zanon

“Polidoro, que ficara parado na porta, sofreu horríveis tormentos, mas estes revolveram o solo em sua alma. Subitamente, via diante de si os seus erros, como na mais clara luz, e nele despertou o propósito de se tornar melhor.
Esse dia e a noite seguinte foram, para ele, um ponto de transição em sua vida. Perante o pai ele sentiu grande veneração. Príamo procedeu com ele como com um velho amigo, isso o filho nunca esqueceu. A par disso desabrochou em sua alma o amor pela pequena irmã, na qual reconheceu o presente de Deus, que fora dado a todos. Isso não se processou de uma só vez, porém devagar e continuamente cresciam amor e reconhecimento.”

"Solitária e sem compreender nada se encontra uma alma no recinto de morte. Sem compreender nada, porque o ser humano que jaz no leito se recusou, durante a sua vida terrena, a acreditar na continuação da vida após deixar o corpo de matéria grosseira, jamais pensando nisso com afinco, e zombando de quantos falavam a tal respeito."

Numa época de muita informação e pouca clareza, há a sensação de que algo está em ebulição. As mudanças são rápidas demais para serem digeridas e as referências conhecidas se desorganizam facilmente, enquanto tentamos seguir uma rotina.
Talvez por isso um fenômeno silencioso acontece: cada vez mais pessoas voltam a se interessar por textos antigos e pelas perguntas que a modernidade tentou silenciar.
Quem somos? De onde viemos? Para onde estamos indo? Qual o sentido por trás das crises que atravessamos?
