Chá de cadeira. São muitas as situações em que sentimos que a paciência é requisitada. Aguardar uma pessoa, o resultado de um exame, o retorno sobre uma vaga de emprego, uma mudança de comportamento nossa ou de alguém próximo. A paciência pode parecer sinônimo de inércia. Mas será? Espera, inquietação, rejeição, sofrimento, aceitação, esperança… são muitas as emoções que podem sentar-se juntas nessa cadeira. Às vezes, a cadeira convida a esperar; às vezes, o convite pode ser para ousar.
Textos desta edição:
- Uma pedra no caminho
- O alto desenvolvimento dos povos originários da América do Sul
- Palavras e silêncios
LER NA ÍNTEGRA

“Os tupanos e seus descendentes amavam, acima de tudo, o silêncio. Palavras altas ou gritaria jamais eram ouvidas. O ficar calado era-lhes, por assim dizer, inato.”

Daniela Schmitz Wortmeyer
Interessante observar o cuidado dedicado às sementes das espécies vegetais: muitas são protegidas por frutos com polpas macias, que garantem nutrientes e atraem animais colaboradores em sua propagação. Em certos casos, esses invólucros de formatos variados podem ser carregados pelo vento, ou permitir que as próprias sementes esvoacem rumo a novas paragens. Alguns envoltórios parecem autênticos porta-joias, que denotam zelo pela carga preciosa, na qual repousa a essência daquele ser, assim como a possibilidade de perpetuar seu legado.
Cultivar sementes pode ser um exercício de paciência, perseverança e resiliência.
Em nosso contexto, é raro haver silêncio interno e externo. Internamente, cada um está com a mente repleta de palavras: um fluxo incessante de pensamentos, que dificultam perceber o significado essencial. Ao mesmo tempo, não abrimos espaço para ouvir: mal escutamos o que vem de fora, especialmente se não confirmar nossas ideias, logo pensando em como defender a própria visão. Assim, a palavra frequentemente confunde e separa, em vez de servir de ponte para a autêntica comunicação.