
“A festa da espiga de milho era algo especial. Muitos incas, principalmente camponeses denominados plantadores, viam durante a época de amadurecimento, entre os pés de milho, “espíritos” que desde os primórdios guardavam e cuidavam das sementes de cereais de toda a Terra para os seres humanos.
Naturalmente, não se tratavam de espíritos humanos, estes que apareciam e desapareciam entre as plantas. Isso evidentemente percebia cada um que conhecia esses espíritos da natureza geralmente invisíveis. Seus olhos tinham uma luminosidade vermelha, e seu adorno de cabeça parecia uma coroa de espigas, a qual brilhava como prata. Em sua volta revoavam fagulhas de luz vermelha e prateada, semelhantes a grãos de cereais transparentes.”
Roselis von Sass, A Verdade Sobre os Incas

Era um domingo à noite. Eu estava sozinha na sala, sentada no sofá, e já ia levantar-me para cuidar de alguns preparativos para o dia seguinte. Mas, subitamente, fui surpreendida por um perfume: intenso, inebriante, incontornável. Busquei na memória e encontrei: “jasmim”. Olhei para as persianas fechadas e me perguntei como aquele aroma as teria transposto; além disso, de onde poderia provir, pois não havia jasmineiros próximos ao prédio. Ainda assim, o perfume era real, indubitável — eu tinha certeza de que, em algum lugar, os jasmins existiam.
Meus pensamentos percorreram experiências semelhantes, em que algo intangível alcança a percepção, mas não se consegue identificar sua origem, ou mesmo comprovar sua existência. Um sentimento de afeto…

“Ao mesmo tempo em que a alma de Mirani deixava seu corpo adormecido e corria ao encontro dele, procurando-o, Tenosique estava recostado num bloco de rocha no Monte da Lua, escutando as vozes da noite. Corujas gigantes e falcões noturnos saíam de suas fendas nas rochas, circundando-o em vôo silencioso. Bem embaixo brilhava o rio dos ursos, na luz da lua que subia. Diante das cabanas das poucas famílias runcas, que moravam lá embaixo, crepitavam algumas fogueiras.”
Roselis von Sass, A Verdade Sobre os Incas