
“‘- Teu cometa lembra-me de uma profecia que alguns sábios incas receberam há longos tempos. Milênios passaram-se. Contudo, a profecia não foi esquecida. Maxixca e Tenosique queriam interromper Saibal, mas este deu a entender com um gesto de mão que queria continuar a falar.
- Tenho a intuição de que estamos próximos do tempo em que uma nova fase começará para a humanidade. Uma fase nova precedida de uma purificação. A Terra está envolta pelas trevas. E essas trevas partem dos seres humanos. Se somos o último povo que ainda desconhece essas trevas, então isto é para mim um sinal de que a profecia se realizará em tempo previsível.
Saibal olhou para Maxixca depois de terminar.
- Segundo o que sei isto demorará somente poucos séculos … Conforme as constelações estelares que conheço, muito se modificará na superfície da Terra! disse Maxixca pensativamente.
- Tens razão! exclamou Tenosique todo alvoroçado. O poderoso cometa desencadeará as modificações previstas na Terra! Mas também expulsará as trevas! Isto é, todos os malfeitores desaparecerão da face da Terra!”
Roselis Von Sass, A Verdade Sobre os Incas

“Ao mesmo tempo em que a alma de Mirani deixava seu corpo adormecido e corria ao encontro dele, procurando-o, Tenosique estava recostado num bloco de rocha no Monte da Lua, escutando as vozes da noite. Corujas gigantes e falcões noturnos saíam de suas fendas nas rochas, circundando-o em vôo silencioso. Bem embaixo brilhava o rio dos ursos, na luz da lua que subia. Diante das cabanas das poucas famílias runcas, que moravam lá embaixo, crepitavam algumas fogueiras.”
Roselis von Sass, A Verdade Sobre os Incas

“Muitos necessitam frequentar igrejas. De como ele, o ser humano individual, se abre nisso, tanto assim receberá. Muitas pessoas chegam à devoção apenas nas florestas, outras diante do mar, outras, por sua vez, pela música, e muitíssimas pessoas, realmente,só nas igrejas. Essas pessoas não devem esquivar-se das igrejas!”
Abdruschin, Respostas a Perguntas

Sibélia Zanon
A beleza é mandamento na asa de passarinho. Se assim não fosse, a cor não habitaria tanta pena. Planando em altura e com leveza, a beleza é arrebatamento – um horizonte se deita sob suas asas.
A beleza chega a ser pungente – pulsa e se faz reconhecer fácil e intimamente. É essência e necessidade numa vida que busca inteirezas.
Por ser tão forte, chega a provocar desconforto ao revelar a ferida. Deflagra aquilo que o cotidiano – coberto com um manto tecido de dor e breu – não consegue ser. Ao iluminar a penumbra costumeira, a beleza constitui-se num lembrete da escassez e pode fazer doer uma saudade. O que parecia conforto passa a ser…