Escondida na alegria

julho 18, 2023

Pintura em aquarela de folhas em tons de cor de rosa

Muitos praticam sem saber e muitos falam dela sem praticar.
Por excesso de repetição e talvez por mau uso, a gratidão parece ter-se esvaído de sentido e cor.
Equivocadamente misturada com obrigação, a gratidão autêntica tem seu abrigo na alegria.
Assim, a prática da gratidão está conectada ao gosto – o gosto de viver, o sabor do momento presente.
E para sentir os sabores, é preciso cultivar os sentidos: sentir o perfume, perceber o paladar, reaprender a atenção. Sentir implica em ser permeável, deixar-se tocar.
“O corpo não é somente uma matéria de sentido, mas o instrumento primeiro para apreender o mundo”, escreve David Le Breton.
Acordar os sentidos é um caminho para apreender o mundo com suas cores e gostos. E, quem sabe, então, encontrar ali, escondida na alegria, a gratidão.
“Emengal começou a falar:
— Quero expressar minha gratidão ao Onipotente! Exatamente como vós! Mas o que é gratidão? Alguém pode dizer-me o que entende por gratidão?
— Eu não sei o que é gratidão! disse um dos ajudantes. Posso, no entanto, dizer que nunca senti tanta alegria como durante o tempo em que me foi permitido colaborar. Talvez alegria signifique gratidão! Não sei bem ao certo, disse ele quase envergonhado.
— Mais alguém pode dizer-me o que entende por gratidão?
O mestre de metais levantou sua mão. Emengal acenou convidando-o a falar.
— Talvez seja gratidão sentir felicidade! Eu sempre fui feliz, desde pequeno. Feliz por me ser permitido trabalhar nos metais até o fim da vida. Feliz por me ser concedido conhecer o amor! Talvez a gratidão esteja escondida na felicidade e na alegria!
Depois, o homem baixou a cabeça, sentando-se de novo.
— Vossas respostas me alegram, pois eu intuí que jamais tivestes nos lábios a palavra ‘gratidão’, mas sim que a gratidão esteve ligada a toda a vossa vida!”

Roselis von Sass, A Desconhecia Babilônia


Leia Também

Abalos Anímicos

julho 20, 2024


Daniela Schmitz Wortmeyer

Ainda me lembro com nitidez daquela cena: ela caminhava apressada com uma folha nas mãos, lendo o conteúdo, enquanto lágrimas se avolumavam em seu rosto. Entrou quase em fuga no vestiário. Eu, que passava pelo corredor nesse exato momento, tive o impulso de segui-la, sentindo que deveria ajudar.

Trabalhávamos em setores distintos, embora próximos, e nossos contatos até então se resumiam a poucas conversas triviais. E eis que, de súbito, me vejo diante dela, agora sentada em um sofá entre os armários do vestiário, com um diagnóstico em mãos: “câncer”. 

O turbilhão em que ela se viu a partir desse dia acabou envolvendo várias pessoas. Entre torrentes de lágrimas, apreensões compartilhadas, histórias inspiradoras contadas, palavras de apoio e carinho, abraços e orações, foi se formando uma comunidade em torno dela, cada um se esforçando para auxiliar como podia. Os laços foram se fortalecendo, pessoas antes dispersas passaram a se integrar e colaborar, sensibilizadas pelo que ocorria.

A partir daquele forte abalo, em que a terra pareceu tremer e escapar de baixo dos pés, muita coisa pôde vir à luz. Nossas conversas cotidianas se tornaram mais profundas e significativas, tocando em temas como a percepção da fragilidade da própria vida, os medos ligados ao que aconteceria consigo e com a família, reflexões sobre o que significou sua jornada até ali, perguntas sobre o real significado da existência, a busca por compreender os porquês, nos campos físico, emocional, espiritual...
Leia Mais
Corpo terreno

julho 16, 2024


"O corpo terreno está ligado  
àquela parte da Terra onde nasceu! Intimamente ligado também com todas as estrelas dessa bem determinada parte e com todas as irradiações que a ela pertencem. De maneira ampla, muito mais do que podeis imaginar! Somente  aquela  parte desta Terra dá ao corpo...”

Abdruschin, Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal
Leia Mais
Os guardiões

julho 13, 2024


"
Sempre um de nós acompanha agora as crianças que hoje já estão com mais de dez anos’, explicou Gauê, 'e que, para a sua idade, já enfrentam a vida de modo muito independente. Permanecemos, logicamente, sempre invisíveis. Contudo, as crianças sabem, geralmente quando percorrem longas distâncias, que nós nos encontramos nas proximidades. Todas elas têm pequenas cornetas, com as quais podem nos chamar ao necessitarem de alguma informação.'"

Roselis von Sass, O Nascimento da Terra
Leia Mais