Entes invisíveis

janeiro 23, 2024

Hastes de trigo ao vento com céu azul ao fundo

"O que se teria passado naquela alma, nesse instante, ninguém  sabe. O certo é que o ladrão se voltou imediatamente para o príncipe  e perguntou: 
— Queres que eu te leve para um abrigo qualquer, onde possas  receber alimento? 
No modo de olhar do ferido, o homem adivinhou a resposta  e, erguendo em seus possantes braços o corpo quase inanimado do príncipe, carregou-o para fora da mata. 
Quando Siddharta voltou a si, viu-se deitado sobre uma pele,  dentro de uma caverna pouco espaçosa. Junto dele havia uma vasilha grande com chá e vários alimentos, espalhados sobre uma pedra, a  seu alcance. O príncipe, porém, sentia-se tão fraco, que sequer podia  alcançar o que comer e o que beber. 
Novas e incríveis provações. O tal homem devia tê-lo despojado de suas vestes, pois tiritava de frio. Passou os olhos pelo corpo e  viu que estava, efetivamente, coberto apenas de míseros, sórdidos  andrajos.
'Ó invisíveis, acaso me salvastes da morte imediata só com o fito  de me fazer sucumbir lentamente à míngua?' clamava o príncipe em  tom lamentoso, não mais com aquela arrogância de antes. 'Ajudai-me,  sim, ajudai-me ainda, vós a quem não conheço nem consigo ver, mas  em quem acredito, porque agora sei que vós existis!'"

Buddha,
Coleção o Mundo do Graal


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á sabia quais os pensamentos e imaginações que a coluna de fumaça ascendente havia despertado nele. E não era de se esperar outra coisa, pois o casal real estava ligado entre si em amor. Por isso um sempre sabia tudo do outro.”

Roselis von Sass, Sabá, o País das mil Fragrâncias

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