"O dragão observava com a cabeça bem erguida e sem o menor movimento a aproximação do estranho. O cheiro e tudo o mais que emanava desse estranho já há muito tinha chegado até ele, tendo sido “examinado”.
Se o resultado do “exame” fosse favorável, o dragão movia seu pescoço comprido de um lado para outro, como num cumprimento, enquanto suas asas vibravam levemente.
Ao ver esses sinais, o estranho aproximava-se rapidamente do animal, passava a mão carinhosamente pelo pescoço escamoso e ofertava-lhe os doces de mel, que eram aceitos de bom grado. A união ou pacto estava então selado, perdurando geralmente por toda a vida.
Totalmente diferente era o comportamento do dragão se o “exame” fosse desfavorável para o pretendente. O animal baixava o pescoço, tocando o solo com a cabeça. Também não havia vibração em suas asas. Para o candidato à amizade do dragão, esse era um momento amargo. Fora recusado, sendo obrigado a voltar sem nada ter conseguido.
Para os seres humanos de hoje, esse relacionamento com os dragões parecerá fantasioso e improvável. Esquecem, no entanto, que naquele tempo ainda não havia medo e animosidade entre o ser humano e o animal. Ambas as espécies viviam pacificamente, lado a lado, como criaturas que possuíam direitos iguais. Os seres humanos de então ainda não roubavam dos animais suas possibilidades de existência, destruindo as florestas e sujando os rios …"
Roselis von Sass, Atlântida - Princípio e Fim da Grande Tragédia
“‘Venho por ordem de um superior!’ ecoou em suas almas. ‘Vim guiar-vos para fora destes vales e indicar os futuros caminhos! Outros, antes de vós, ouviram um chamado semelhante, saindo, então, a fim de que seu destino se cumprisse. Hoje eles vivem no país de Tupan-an, e a felicidade e a paz estão com eles! Vossos caminhos vos conduzem para fora destes vales...’”

Caroline Derschner
A perda do sagrado, que no passado irrigava com o espiritual aquilo que era terreno, trazia mais do que uma vivificação para a labuta diária. Era também uma lembrança de um antigo ensinamento que alude que não devemos empoleirar o dia a dia em nosso altar pessoal, adorando o efêmero, mas sim levar o impulso de nossa sintonização devocional para o dia a dia, elevando tudo que for possível ao nosso alcance.

“Imaginai no lugar do teto fios luminosos e delicados que pendem como um fino e transparente véu acima do ‘tecer ao vosso redor’, do qual emana um perfume delicioso capaz de fortalecer e vivificar de maneira singular, tão logo se esteja capacitado a senti-lo conscientemente, dando-lhe atenção."
Abdruschin, Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal

