Sentimentos domesticados

agosto 12, 2015

Sibélia Zanon
 
Como quem caminha por um túnel sombrio, deparamos vez por outra com conceitos obscuros e conflitantes e, por estranho que pareça, somos aconselhados a não questioná-los.

 

O dia das mães, o dia dos pais, entre outros, invadem o imaginário coletivo com o marketing das famílias indiscutivelmente amorosas. Muitos se sentem culpados por não usufruírem da mesma cordialidade que a propaganda propõe ou por questionarem as medidas do amor.

 

Existe amor compulsório? Admiração compulsória? Ou esse tipo de sentimento é norteado, no interior de cada um, por águas mais profundas?

 

“Como pode uma criança respeitar o pai que se degrada no vício da bebida ou uma mãe que torna todas as horas amargas ao pai e a todos no lar, em virtude dos seus caprichos, pelo seu temperamento desenfreado, por falta de autocontrole e por tantos outros modos que impossibilitam inteiramente o surgir de uma atmosfera serena! Pode uma criança honrar os pais quando os ouve insultar-se mutuamente de forma pesada, quando enganam um ao outro ou quando chegam até a agredir-se?”, questiona Abdruschin em Os Dez Mandamentos e o Pai Nosso.

 

Sofremos, muitas vezes, em prisões construídas pela pobreza das interpretações, pelos conceitos formatados, que não admitem questionamentos e dúvidas.

 

Em sua exposição sobre o mandamento Honrarás pai e mãe!, Abdruschin ainda escreve: “O mandamento impõe deveres incondicionais aos pais para que conservem sempre completa consciência de sua elevada missão, e com isso também mantenham sempre diante dos olhos a responsabilidade que nela se encontra”. O mandamento não seria, então, dirigido exclusivamente aos filhos, mas sobretudo aos pais.

 

A admiração, o respeito e o amor não são objetos que podem ser vendidos pelo marketing ou inseridos, por meio de conceitos obscuros, no interior de pais e filhos. São, na realidade, sentimentos genuínos, com caráter transformador, que não se deixam domesticar tão facilmente. 


Leia Também

Fogos juninos

junho 25, 2022

Imagem de fogueira


“(…) os festejos juninos, em que eram acesos os ‘fogos pagãos’ em homenagem ao Sol, foram associados com o aniversário de João Batista, festejado pelos cristãos no dia vinte e quatro de junho. E os seres humanos que com o decorrer do tempo se converteram ao cristianismo, denominaram apenas de ‘fogos juninos’ as fogueiras em reverência ao Sol, que antes eram acesas para agradecer a Apolo, e que eram chamadas de ‘fogos de solstício’.” 

Roselis von Sass, O Livro do Juízo Final 

Leia Mais
Cooparticipação

junho 21, 2022

Postal com frase da obra Na Luz da Verdade, Mensagem do Graal de Abdruschin


Abdruschin, Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal

Leia Mais
Circular em sintonia

junho 18, 2022

Aquarela, espiral infinito em tons de cor de rosa.

De acordo com as diversas direções que elegemos, vamos somando desejos, ideias e aspirações de uma determinada espécie e fortalecemos todo um grupo similar. Tecemos conexões e recebemos também em retorno um fluxo da mesma espécie. Perceber a própria capacidade de formar a realidade e a conexão com o todo gera sensação de pertencimento e sentido para as ações cotidianas, ajuda a vislumbrar o grandioso que existe no pequeno.
Leia Mais