Percepção do Tempo

dezembro 03, 2022

Tons dourados de luz natural sob destaque de detalhes em plantação de trigo.

“Na infância tínhamos a nítida impressão de que o tempo passava mais devagar. Parecia decorrer uma eternidade até o período de férias chegar; a festa de Natal, sempre ansiosamente aguardada, era um evento que se repetia mui raramente; o dia do aniversário, então, parecia até um golpe de sorte quando finalmente despontava. À medida que crescemos, a estória se inverte. Parece que o tempo se acelera. Mal repetimos nossas eternamente imutáveis resoluções de ano-novo, e as semanas e meses já iniciam sua desabalada carreira. Quando nos damos conta já estamos prestes a ultrapassar o primeiro semestre, para logo em seguida nos surpreendermos com os primeiros acordes natalinos. E, no entanto, sabemos que as intermináveis horas da infância possuem os mesmos fugazes 60 minutos da fase adulta.

A explicação dessa mudança de percepção está, pois, na vivência. É a vivência do ser humano que se intensifica a partir de certa idade, e não o tempo. O tempo não muda. Os movimentos dos ponteiros do relógio apenas registram numericamente nossa passagem dentro do tempo aqui na Terra. O tempo não passa, nós é que passamos dentro dele. Quando o corpo terreno atinge um determinado estado de maturação, na adolescência, o espírito dentro dele passa a se fazer valer plenamente, e então as vivências se intensificam.”

Roberto C. P. Junior, Jesus Ensina as leis da Criação



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Roselis von Sass, O Livro do Juízo Final

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Sibélia Zanon

Desde o nascimento e pela vida toda carregamos uma cicatriz. O marco centralizado no corpo divide o abdômen em quatro partes, à altura do disco que se insinua entre as vértebras L3 e L4.

A cicatriz indica o local onde um dia esteve implantado um cordão umbilical, rio trafegando sais minerais, vitaminas, oxigênio e glicose entre mãe e feto — porta para a vida.

“O umbigo marca nossa ligação com a Terra e com todos os seres vivos, e não apenas com o corpo de nossa mãe”, sugere o filósofo Emanuele Coccia.

Assim como o umbigo, também o ato de cuidar é gerador da vida. Sem o cuidado não haveria sobreviventes: o primeiro choro inaugura a dependência radical por um provedor de afeto e leite. E essa dependência, palavra culturalmente carregada de estigma e negatividade, faz-se alicerce para a potência e o desenvolvimento.

Com o alicerce desenhado, somos convidados a ousar passos de independência.

E, embora tais passos sejam saudáveis e necessários, a ode à autonomia costuma ofuscar o sortimento de cuidados que nos cercam ao longo de toda a vida — muitas vezes expressos na simplicidade generosa de uma palavra ou de um prato de comida quente.

O cuidado circula por toda parte. O invisível guarda muitos cuidados. Basta pensar que, na materialidade dos corpos, uma ferida pode ser fechada, a exemplo da…

 

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