
Sibélia Zanon
Às vezes, no meio do gramado, nasce uma miniflor. Uma margarida em tons amarelos com minipistilos. Seu pólen atrai pequenas abelhas e insetos. É como se ela tivesse sido esculpida com o mesmo apreço e a mesma precisão dispensada às maiores obras da natureza. Minuciosamente.
Ao olhar de perto, quem ousaria dizer que uma flor grande tem valor diferente?
Se pensarmos sobre as atividades desenvolvidas pelas pessoas, sejam trabalhos pequenos ou grandes, o que é grandioso?
Quando um trabalho é cuidado do início ao fim e entregue de maneira limpa, quando os prazos são cumpridos, quando o que é prometido é realizado, quando o capricho aparece no acabamento, quando o atendimento é cuidadoso e gentil, quando não há oportunismo, mas há oportunidade de florescer… transparece algo de grande!
Cada pequena ação pode estar impregnada de grandiosidade, quando guiada por um desejo do bem.

“— Tua resposta foi correta. Teu pai, depois da morte, será espírito e alma. Não obstante, continuará a ser o mesmo. A perda do corpo terreno não modifica seu espírito e sua alma! Sentirá por ti o mesmo amor como até agora, e tu também sempre te lembrarás dele com amor. ”

Era um domingo à noite. Eu estava sozinha na sala, sentada no sofá, e já ia levantar-me para cuidar de alguns preparativos para o dia seguinte. Mas, subitamente, fui surpreendida por um perfume: intenso, inebriante, incontornável. Busquei na memória e encontrei: “jasmim”. Olhei para as persianas fechadas e me perguntei como aquele aroma as teria transposto; além disso, de onde poderia provir, pois não havia jasmineiros próximos ao prédio. Ainda assim, o perfume era real, indubitável — eu tinha certeza de que, em algum lugar, os jasmins existiam.
Meus pensamentos percorreram experiências semelhantes, em que algo intangível alcança a percepção, mas não se consegue identificar sua origem, ou mesmo comprovar sua existência. Um sentimento de afeto…