“Bildad deixou as crianças falarem, quando chegaram à aula no primeiro dia. Ele quis saber como tinham passado os dias de festa. Ao final perguntou-lhes se ainda queriam mais dias livres… A resposta foi um uníssono 'Não'.
— Por que não? perguntou ele.
As respostas à pergunta dele tinham todas o mesmo sentido.
—Fico sempre cansado quando nada tenho a fazer!… Os dias de festa passam muito mais lentos do que os dias de trabalho!… Os dias sem trabalho e sem aulas parecem-me muito mais compridos… Já somos grandes demais para não fazer nada o dia todo, ou para brincar apenas!…
Bildad, intimamente, alegrou-se ao ouvir essas respostas e outras semelhantes. Não se enganara a respeito das crianças. Já hoje se manifestavam nelas espíritos vigilantes e ativos.
— Estou de pleno acordo com vossa opinião. Uma ociosidade prolongada apenas cansa. Sem trabalho, a vida parece parar. Extingue-se como a brasa sob as cinzas. Depois dessas palavras, Bildad explicou às crianças, com palavras simples, que a natureza se encontra em constante atividade.
— O pulso da vida, que mantém em movimento tudo o que foi criado pelo Criador, não permite descanso, o qual equivale a uma paralisação. Dentro de nós pulsa a mesma energia de vida como nos astros, plantas e animais. Sentimo-nos mais alegres e sadios quando trabalhamos e fazemos algo de útil!"
Roselis von Sass, Sabá, O País das Mil Fragrâncias

“Não havia, em todos esses países, uma única solenidade nos templos, não importando de que espécie fosse, que não utilizasse a mistura de fragrâncias de Sabá. As resinas aromáticas eram espalhadas em forma de grãozinhos sobre os incensórios sempre preparados. A fumaça que se elevava deveria indicar que os pensamentos das pessoas reunidas, preparadas para a devoção, estavam igualmente dirigidos para cima.”

Era um domingo à noite. Eu estava sozinha na sala, sentada no sofá, e já ia levantar-me para cuidar de alguns preparativos para o dia seguinte. Mas, subitamente, fui surpreendida por um perfume: intenso, inebriante, incontornável. Busquei na memória e encontrei: “jasmim”. Olhei para as persianas fechadas e me perguntei como aquele aroma as teria transposto; além disso, de onde poderia provir, pois não havia jasmineiros próximos ao prédio. Ainda assim, o perfume era real, indubitável — eu tinha certeza de que, em algum lugar, os jasmins existiam.
Meus pensamentos percorreram experiências semelhantes, em que algo intangível alcança a percepção, mas não se consegue identificar sua origem, ou mesmo comprovar sua existência. Um sentimento de afeto…
