Espalhar sementes

junho 06, 2019

 

“Finalmente chegou o dia por todas as crianças tão ardentemente esperado: o dia de ‘espalhar sementes’.

Ao nascer do sol, as crianças, montando pequenos burricos ou sentadas em três sobre robustas mulas, saíram da cidade. Cavalgavam, aliás, em direções diferentes, espalhando sementes. Cada criança carregava uma cestinha, trançada por ela mesma, cheia de sementes, bem como uma pazinha de madeira. As sementes de tâmaras não eram espalhadas, mas, sim, eram plantadas cuidadosamente no chão arenoso.

As crianças juntavam para essa finalidade as sementes de todas as frutas que comiam durante o ano inteiro, bem como as sementes de flores, arbustos, de especiarias e até de gramas.”

 

 

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A água se deixa afetar pelas pedras no fundo do rio. Esgueirando-se, segue mais rápida, às vezes mais lentamente. Produz sons pequenos ao encontrar pedras pequenas ou sons grandes ao encontrar o precipício e se derramar em cachoeira.

Estar vivo implica em ser afetado e afetar, em seguir o fluxo entre as pedras, fazer a curva junto do rio e emitir novos sons que reverberam no mundo.

“O bem-viver para nós é aceitar o ambiente como ele é. É aceitar a árvore torta que está ali e aceitar a pedra que está ali. Se o rio está meio torto, deixa. É a maneira que ele surgiu. Não dá para fazer ele reto”, diz Carlos Papá, indígena do povo Guarani Mbya, que tem a Mata Atlântica como casa.

Aceitar a pedra e seguir se relacionando com ela…

 

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