A busca pelo vivenciar

novembro 13, 2025


“O dono da poderosa voz era João, o grande profeta, que anunciava o reino do Senhor, que ganhava cada vez maior poder sobre os seres humanos, e que falava com a força de seu amor, dominando as pessoas com sua vontade pura.

Maria (Madalena) sentia medo do profeta. Ela, que em outras ocasiões era tão segura de si, tremia.

Um leve suspiro de opressão a fez levantar seu peito e respirar profundamente. Ela era jovem ainda, contudo, ao olhar retrospectivamente para a sua vida irrequieta e cheia de vivências, deparava-se nela um vazio desesperador!

Reconhecendo, porém, de chofre o vazio, na mesma medida ela sentiu desmoronarem-se sobre si os anos até agora vividos, quase a esmagando. Maria era poderosa e desejada, mas não era feliz.

Sua alma, capaz de se entusiasmar, procurava o vivenciar realmente grande, e não horas embriagadoras. Ela não era leviana nem má, tampouco superficial; pelo contrário, possuía um grande anseio de ajudar e de amar verdadeiramente.” 


Os Apóstolos de Jesus, Coleção o Mundo do Graal

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Ros
elis von Sass, Fios do Destino Determinam a Vida Humana

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“O ser humano sempre pensa em algo que outrora vivenciou, que lhe produziu uma impressão fora do comum, mas que ele presumia desde muito já extinta em seu íntimo.

Entretanto, nele nada se apagou...


Abdruschin, Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal

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Sibélia Zanon

Desde o nascimento e pela vida toda carregamos uma cicatriz. O marco centralizado no corpo divide o abdômen em quatro partes, à altura do disco que se insinua entre as vértebras L3 e L4.

A cicatriz indica o local onde um dia esteve implantado um cordão umbilical, rio trafegando sais minerais, vitaminas, oxigênio e glicose entre mãe e feto — porta para a vida.

“O umbigo marca nossa ligação com a Terra e com todos os seres vivos, e não apenas com o corpo de nossa mãe”, sugere o filósofo Emanuele Coccia.

Assim como o umbigo, também o ato de cuidar é gerador da vida. Sem o cuidado não haveria sobreviventes: o primeiro choro inaugura a dependência radical por um provedor de afeto e leite. E essa dependência, palavra culturalmente carregada de estigma e negatividade, faz-se alicerce para a potência e o desenvolvimento.

Com o alicerce desenhado, somos convidados a ousar passos de independência.

E, embora tais passos sejam saudáveis e necessários, a ode à autonomia costuma ofuscar o sortimento de cuidados que nos cercam ao longo de toda a vida — muitas vezes expressos na simplicidade generosa de uma palavra ou de um prato de comida quente.

O cuidado circula por toda parte. O invisível guarda muitos cuidados. Basta pensar que, na materialidade dos corpos, uma ferida pode ser fechada, a exemplo da…

 

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