“Alaparos ainda recolheu algumas flores que haviam caído no chão, cheirando-as.
— O aroma das flores purifica os órgãos de respiração e dissolve as névoas do cérebro.”
Roselis von Sass, A Desconhecida Babilônia
Há vezes em que nos sentimos vazios, mesmo estando repletos. Tenho pensado nisso depois de descobrir que a falta de ar não significa exatamente a dificuldade em preencher o peito. Mas, em primeiro lugar, a dificuldade em esvaziá-lo.
O ar preso, retido do lado de dentro, já não tem a qualidade do frescor, não consegue mais prestar seu serviço de renovação. A pessoa que tem o ar confinado não consegue também participar do ciclo completo da respiração: sorver o ar, transformá-lo e devolvê-lo.
A devolução pode ser percebida como uma forma de doação. O dióxido de carbono da nossa expiração é absorvido pelas plantas, beneficiando-as e convocando-as a purificar o início de um novo ciclo.
Para sentir-se pleno de ar é preciso saber-se vazio.
Essa imagem me pareceu emblemática para tantas outras situações. A ausência de frescor em muitas circunstâncias da vida pode denunciar a falta de fluxo, de movimento, de troca com o mundo exterior. A falta de ir e vir.
A dificuldade em sentir gratidão, por exemplo, pode denotar a incapacidade de perceber os presentes que se recebe. Sem notar que o interior está repleto, guardamos tudo dentro e não conseguimos transbordar benefícios para o universo. Ficamos cheios e infelizes.
Também as ideias ou conceitos que se fazem pedra no nosso interior, sem que consigamos pensar sob outros ângulos ou ter alguma flexibilidade na forma de olhar, podem refletir a incapacidade de circulação de pontos de vista que tragam novos discernimentos. Sempre as mesmas ideias fixas enrijecendo a forma de julgar.
Quando nos sentimos vazios, pode ser que esteja acontecendo exatamente o contrário. Será que podemos aprender a expirar, a nos esvaziar daquilo que não mais nos serve para ganhar novo fôlego, espaço, ar?
“...cada ser humano será seu próprio juiz, quando ingressar no ‘grande salão dos espelhos’, para examinar tudo o que fez em sua existência...”
Roberto C. P. Junior, O Filho do Homem na Terra
“Abençoada seja, portanto, a hora em que os pensamentos de amor puro adquirirem novamente um lugar de predomínio entre a humanidade, para que...”
Abdruschin, Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal

A expectativa acompanha a experiência humana: lançamos ao futuro desejos, temores e cenas do que gostaríamos de viver. Ela pode orientar passos e alimentar a esperança, mas também pode frustrar ou aprisionar, quando...


