Cassandra, a filha dos reis troianos Príamo e Hécuba, alertava constantemente sobre o destino que se aproximava de seu povo.
Em outros povos como o de Atlântida, druidas convocavam reuniões e viajavam até as mais afastadas regiões para informar o povo sobre a exortação do sábio Gurnemanz, de que o país deveria ser deixado nos dez anos seguintes.
Quanto das profecias e exortações reverberaram entre os povos daquelas épocas? Os alertas foram escutados? E se observarmos a época atual, o que nos chama atenção?
“Olhemos a nossa volta: quem hoje segue seu caminho zombando das anunciações e previsões de acontecimentos terríveis, que aumentam por toda parte, não querendo ver que muito daquilo já está se realizando, e que se avolumam de semana para semana as catástrofes naturais, esse é ignorante, ou por algum medo nada quer reconhecer ainda! ”, escreve Abdruschin em Na Luz da Verdade, Mensagem do Graal.

Sibélia Zanon
Desde o nascimento e pela vida toda carregamos uma cicatriz. O marco centralizado no corpo divide o abdômen em quatro partes, à altura do disco que se insinua entre as vértebras L3 e L4.
A cicatriz indica o local onde um dia esteve implantado um cordão umbilical, rio trafegando sais minerais, vitaminas, oxigênio e glicose entre mãe e feto — porta para a vida.
“O umbigo marca nossa ligação com a Terra e com todos os seres vivos, e não apenas com o corpo de nossa mãe”, sugere o filósofo Emanuele Coccia.
Assim como o umbigo, também o ato de cuidar é gerador da vida. Sem o cuidado não haveria sobreviventes: o primeiro choro inaugura a dependência radical por um provedor de afeto e leite. E essa dependência, palavra culturalmente carregada de estigma e negatividade, faz-se alicerce para a potência e o desenvolvimento.
Com o alicerce desenhado, somos convidados a ousar passos de independência.
E, embora tais passos sejam saudáveis e necessários, a ode à autonomia costuma ofuscar o sortimento de cuidados que nos cercam ao longo de toda a vida — muitas vezes expressos na simplicidade generosa de uma palavra ou de um prato de comida quente.
O cuidado circula por toda parte. O invisível guarda muitos cuidados. Basta pensar que, na materialidade dos corpos, uma ferida pode ser fechada, a exemplo da…
“... que devo eu fazer para realmente andar direito!
Esse intuir atormenta muitos, visto que o ser humano procura tornar tudo mais complicado do que realmente é. Precisa...”
Abdruschin, Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal
“O destino do ser humano, assim como o do povo e, por fim, de toda a humanidade, é comparável a um trem que se encontra parado, esperando, numa linha férrea de uma só via, diante de um entroncamento de ferrovias para todas as direções.”
Abdruschin, Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal


