Quando algo se quebra, acontece uma interrupção. O que parecia normal é abalado. O café se perde da xícara, a segurança se perde da casa, o amor pode ficar sem destinatário. Quando algo se quebra é preciso tempo. Tempo para reparo, ou para elaborar a aceitação do que já não é mais e tomar consciência da nova realidade, até nascer o desejo de uma reconstrução. Como colar o que foi quebrado? Conhecida como kintsugi, a técnica atribuída a artesãos japoneses não se intimida com os rompimentos e faz do reparo a própria arte. Os cacos do que foi quebrado são unidos com uma mistura de resina e ouro, enfatizando as junções de um novo começo.
Textos desta edição:
- Mosaico de Interações
- A arte de reconstruir
- Conexão ao alcance das mãos
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Era um domingo à noite. Eu estava sozinha na sala, sentada no sofá, e já ia levantar-me para cuidar de alguns preparativos para o dia seguinte. Mas, subitamente, fui surpreendida por um perfume: intenso, inebriante, incontornável. Busquei na memória e encontrei: “jasmim”. Olhei para as persianas fechadas e me perguntei como aquele aroma as teria transposto; além disso, de onde poderia provir, pois não havia jasmineiros próximos ao prédio. Ainda assim, o perfume era real, indubitável — eu tinha certeza de que, em algum lugar, os jasmins existiam.
Meus pensamentos percorreram experiências semelhantes, em que algo intangível alcança a percepção, mas não se consegue identificar sua origem, ou mesmo comprovar sua existência. Um sentimento de afeto…

“Tudo o que vibra do interior: os pensamentos em que se investe, a forma como se usa o tempo, as palavras pronunciadas são sementes que desenham a paisagem do mundo.”