
"Outrossim, havia muita coisa no Reino do Meio que desgostava a nobreza. Outrora, sob outros imperadores, tinham sido eles os determinantes, o centro de tudo. Os antepassados deles foram poderosos e ninguém naqueles tempos se preocupava com o povo.
Lao-Tse mudara os antigos costumes com seus discursos, anunciando a todos que perante Deus não importa posição ou título de nobreza, e sim apenas a constituição íntima de cada um."
Lao Tse, Coleção o Mundo do Graal

Caroline Derschner
A perda do sagrado, que no passado irrigava com o espiritual aquilo que era terreno, trazia mais do que uma vivificação para a labuta diária. Era também uma lembrança de um antigo ensinamento que alude que não devemos empoleirar o dia a dia em nosso altar pessoal, adorando o efêmero, mas sim levar o impulso de nossa sintonização devocional para o dia a dia, elevando tudo que for possível ao nosso alcance.
O tempo todo somos encontrados por novas sensações. O mundo nos afeta, achando constantemente uma porta de entrada. Somos providos de sentidos e, por meio deles, cheiramos e sentimos o mundo. Elaboramos experiências do lado de dentro e, então, transpiramos aquilo que nos tocou de forma transformada e singular. Como participantes desse fluxo constante de afetos, temos também a capacidade e a responsabilidade de afetar.