Como estamos remando nossos desassossegos, nossas dúvidas, nossa capacidade de questionar? Há vários tipos de perguntas. Algumas têm seu nascedouro no coração, outras na razão. Conforme navegamos, vamos nos conhecendo e descobrindo quais perguntas são essenciais para seguirmos adiante. A possibilidade de questionar e analisar leva à capacidade de construir uma paisagem de águas mais claras, talvez mais calmas.

Era um domingo à noite. Eu estava sozinha na sala, sentada no sofá, e já ia levantar-me para cuidar de alguns preparativos para o dia seguinte. Mas, subitamente, fui surpreendida por um perfume: intenso, inebriante, incontornável. Busquei na memória e encontrei: “jasmim”. Olhei para as persianas fechadas e me perguntei como aquele aroma as teria transposto; além disso, de onde poderia provir, pois não havia jasmineiros próximos ao prédio. Ainda assim, o perfume era real, indubitável — eu tinha certeza de que, em algum lugar, os jasmins existiam.
Meus pensamentos percorreram experiências semelhantes, em que algo intangível alcança a percepção, mas não se consegue identificar sua origem, ou mesmo comprovar sua existência. Um sentimento de afeto…

“Tudo o que vibra do interior: os pensamentos em que se investe, a forma como se usa o tempo, as palavras pronunciadas são sementes que desenham a paisagem do mundo.”
