Prudência e Sabedoria

março 07, 2023

Vislumbre de luz dourada de velas em castiçais delicadamente trabalhados.

"Também os dias de Biltis estavam plenamente ocupados. O pai dela sentia-se obrigado a familiarizá-la o mais rapidamente possível com tudo que se referisse a assuntos de governo e aos deveres reais. Por isso ele a levava consigo a todas as sessões do conselho governamental, desejando também a sua presença nas reuniões com o chanceler, no palácio. Ao anoitecer, Biltis estava tão exausta pelos esforços do dia, que frequentemente caía vestida no leito, adormecendo.

Sarabeth também era incansável. Todo dia dava aulas a um grupo de moças, ensinando-lhes tudo que ela mesma sabia sobre a composição e aplicação das diferentes plantas, cascas e flores.

Igualmente Dankali não estava inativo. Depois de várias conferências com o casal real, ele começou a preparar, a seu modo, a base para Biltis, a futura rainha. Certa vez, por exemplo, ele disse a um grupo de dignitários e sacerdotes reunidos num conselho na casa de hóspedes do Templo da Lua:

— Em breve a jovem e bela filha do rei Balak dirigirá os destinos de Sabá! Não é, pois, a primeira vez que uma mulher é escolhida para esse elevado encargo. Pela história de nosso país depreende-se nitidamente que já duas mulheres governaram aqui com prudência e sabedoria.

Dankali fez uma pausa, esperando para ver se alguém tinha algo a objetar. Não acontecendo isso, ele disse que mestre Bildad ficara muitas vezes surpreso com a sabedoria e inteligência da princesa.

— Ele está convicto de que ela sempre aceitará agradecida os conselhos de homens mais idosos e mais sábios.

— Alegrai-vos, meus amigos, que nosso país será governado futuramente por uma jovem e bela rainha! exclamou um dos presentes. Eu conheço o rei. Ele é inteligente! Certamente por uma sábia previsão, ele escolheu sua filha como sucessora."

Roselis von Sass, Sabá. O País das Mil Fragrâncias


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Sibélia Zanon

Desde o nascimento e pela vida toda carregamos uma cicatriz. O marco centralizado no corpo divide o abdômen em quatro partes, à altura do disco que se insinua entre as vértebras L3 e L4.

A cicatriz indica o local onde um dia esteve implantado um cordão umbilical, rio trafegando sais minerais, vitaminas, oxigênio e glicose entre mãe e feto — porta para a vida.

“O umbigo marca nossa ligação com a Terra e com todos os seres vivos, e não apenas com o corpo de nossa mãe”, sugere o filósofo Emanuele Coccia.

Assim como o umbigo, também o ato de cuidar é gerador da vida. Sem o cuidado não haveria sobreviventes: o primeiro choro inaugura a dependência radical por um provedor de afeto e leite. E essa dependência, palavra culturalmente carregada de estigma e negatividade, faz-se alicerce para a potência e o desenvolvimento.

Com o alicerce desenhado, somos convidados a ousar passos de independência.

E, embora tais passos sejam saudáveis e necessários, a ode à autonomia costuma ofuscar o sortimento de cuidados que nos cercam ao longo de toda a vida — muitas vezes expressos na simplicidade generosa de uma palavra ou de um prato de comida quente.

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