Quem eram os deuses da Antiguidade?
Eles continuam vivos?
Delicadas mãozinhas tecem no silêncio.
Mãos fortes e majestosas tecem o indizível.
“Na Terra ninguém esperará que um pedaço de pão, roupas, casas e tudo o mais, necessários à vida na matéria grosseira, surjam do nada, sem a colaboração humana... Estão à disposição do ser humano os elementos básicos dos quais pode produzir tudo o que necessita para a sua manutenção... Nos reinos da natureza não é diferente.”
Sibélia Zanon
A água se deixa afetar pelas pedras no fundo do rio. Esgueirando-se, segue mais rápida, às vezes mais lentamente. Produz sons pequenos ao encontrar pedras pequenas ou sons grandes ao encontrar o precipício e se derramar em cachoeira.
Estar vivo implica em ser afetado e afetar, em seguir o fluxo entre as pedras, fazer a curva junto do rio e emitir novos sons que reverberam no mundo.
“O bem-viver para nós é aceitar o ambiente como ele é. É aceitar a árvore torta que está ali e aceitar a pedra que está ali. Se o rio está meio torto, deixa. É a maneira que ele surgiu. Não dá para fazer ele reto”, diz Carlos Papá, indígena do povo Guarani Mbya, que tem a Mata Atlântica como casa.
Aceitar a pedra e seguir se relacionando com ela…
Você é apenas esse corpo?
Se ele envelhece, por que o sentimento do “eu” não muda junto, mas permanece sempre o mesmo?
O que restará de você quando essa camada se for?
“‘Venho por ordem de um superior!’ ecoou em suas almas. ‘Vim guiar-vos para fora destes vales e indicar os futuros caminhos! Outros, antes de vós, ouviram um chamado semelhante, saindo, então, a fim de que seu destino se cumprisse. Hoje eles vivem no país de Tupan-an, e a felicidade e a paz estão com eles! Vossos caminhos vos conduzem para fora destes vales...’”
