Aquarela perdida

junho 16, 2020

Imagem de rascunho de pintura sendo pintado em aquarela azul por mão e pincel


Quando tudo perde a graça ou quando tudo é nada... Quando o colorido vira branco e preto e 
não há atividade, companhia, sabor, cheiro ou imagem que pareçam estimulantes... Quando a vontade não existe, apenas a de chorar ou nem mesmo essa... O sentido de tudo parece nebuloso e a vida frágil…

E os pensamentos vão ficando pálidos, em tons cinza e preto. Vão se deixando machucar pela dor que agride e passam a girar apenas envoltos pelo mesmo sentimento, afundando em um padrão que parece não permitir saída.

O que fazer nesse momento? Doenças que atacam corpo e alma não são acontecimentos raros. Mas por quê? Como explicar a doença nos casos em que ela não está ligada ao estresse e nem mesmo pode ser vista como resultado de qualquer acontecimento específico?

Talvez a explicação esteja no fato de que doenças estão muitas vezes ligadas também à alma e não só ao corpo. Somos mais do que um corpo, que, quando velho, morre e acaba. Estamos vivendo parte de um processo e, embora não existam recordações, o hoje não deixa de estar perpassado por um mundo invisível que traz a colheita do plantio de ontem. Pode ser que a dificuldade de se entender e também de curar muitas doenças esteja ligada justamente à pouca reflexão sobre estes dois aspectos: o fato de o ser humano ser um todo composto de corpo e alma, e também o fato de esta vida ser parte de um processo mais longo.

Neste contexto, doenças como a depressão — transtorno do humor que se manifesta certas vezes através de sintomas claros, outras vezes por sintomas mascarados de difícil diagnóstico — precisariam, além do diagnóstico e tratamento convencionais, ser tratadas também de dentro para fora.

Também por esse motivo não falamos aqui em sintomas simples, em que se possa apenas sugerir que se sorria em vez de chorar, pois as causas podem ser mais profundas do que o imaginado. Além disso, a culpa e incapacidade de lidar sozinho com a própria dor e tristeza torna o doente vulnerável e com autoestima fragilizada.

Especialistas recomendam que o paciente não exija demais de si mesmo e nem tome atitudes muito decisivas em períodos de depressão, como mudanças de emprego ou o fim de um casamento. É preciso saber que os sintomas são resultado de uma doença que tem tratamento e exige paciência. As conquistas da medicina têm sido muito grandes nessa área, sendo que existem vários caminhos a ser trilhados pelo paciente para um significativo alívio e recuperação. Neste ponto entra também a possibilidade de ajuda de amigos e parentes, auxiliando de forma prática na busca pelo diagnóstico e tratamento mais eficiente.

Mas e os pensamentos? Pensamentos que vão se fortalecendo na escuridão da dor! Pensamentos têm força? Médicos indicam que quando a depressão ou o medo e dores como a angústia machucam, é preciso policiar-se para que os pensamentos negativos não dominem o tempo todo.

Lutar contra os pensamentos derrotistas, tristes, pessimistas, escuros, tirando seu alimento tanto quanto possível não é uma luta fácil, pois os pensamentos são fortalecidos por outros de igual espécie, voltando ainda com mais força para quem os gerou. No entanto, isso funciona tanto para os pensamentos positivos quanto para os ruins, sendo que o firme propósito otimista pelo bem nunca fica desamparado. Toda a busca sincera e mudança firme interior gera mudança real!

“Por isso não malbarateis a força do pensar; ao contrário, concentrai-a para a defesa e para pensamentos aguçados que saiam como lanças, atuando sobre tudo. Criai assim com os vossos pensamentos a lança sagrada que combate pelo bem, que cicatriza feridas, beneficiando a Criação inteira!” (Abdruschin - Na Luz da Verdade, dissertação “Despertai!”)

Texto revisado, publicado no periódico Literatura do Graal, número 10.



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Sibélia Zanon, Espiando pela Fresta
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— A alma, Muno, é aquilo que dia e noite chora dentro de ti, porque tu a deixas faminta, e a maltratas. A alma é a melhor porção do nosso ‘eu’, que vem do Alto e não descansa enquanto nós não a reconduzimos outra vez para lá. Se não a tratamos assim, chora, então, nossa alma, como chora, agora, a tua, Muno.”

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