A CRIANçA
Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal de Abdruschin - Volume 3 - Abdruschin


Quando as pessoas perguntam a si próprias como podem educar de modo certo seus filhos, elas devem observar em primeiro lugar a criança, e se orientarem correspondentemente. Desejos próprios do educador devem aí ser completamente postos de lado. A criança deve seguir o seu caminho na Terra e não o caminho do educador.

Bem-intencionado é um educador quando deseja, de bom grado, colocar à disposição de seu filho, para proveito deste, aquelas experiências que ele próprio tivera que colher em sua vida terrena. Quer muito poupar à criança em decepções, perdas e dores. Contudo, na maioria dos casos não consegue muito com isso.

Tem de reconhecer, por fim, que todos os seus esforços nisso e sua boa vontade foram totalmente em vão, pois a criança em desenvolvimento segue, de súbito e de modo inesperado, em determinado tempo, seu próprio caminho, esquecendo ou desprezando todas as exortações, nas decisões para si mesma importantes.

A tristeza do educador a tal respeito não é justificada, pois em sua boa vontade ele nem levou em consideração que a criança que ele queria educar não tem de seguir, absolutamente, um caminho idêntico ao dele, se ela quiser cumprir direito a finalidade de sua existência nesta Terra.

Todas as experiências que o educador pôde ou teve que vivenciar em si próprio tinham sido destinadas a ele e a ele eram necessárias, tendo também por isso trazido proveitos somente ao educador, se foi capaz de assimilá-las de modo correto.

Esse vivenciar do educador, contudo, não pode trazer à criança o mesmo proveito, visto que o seu espírito, por sua vez, tem de vivenciar algo completamente diferente para o seu desenvolvimento, conforme os fios do destino que com ela estão entretecidos.

Nem sequer dois, dentre os muitos seres humanos na Terra, têm caminhos idênticos, que possam beneficiá-los para o amadurecimento de seus espíritos!

Por isso, as experiências de uma pessoa não adiantam espiritualmente para uma segunda. E se uma criatura humana trilhar, imitando com exatidão, o caminho de outrem, terá malbaratado sua própria existência terrena!

Deveis apenas preparar a ferramenta para a criança, até o seu amadurecimento, da qual ela necessita para a sua vida terrena, nada mais. Isto é, o corpo terreno com todos os seus aparelhos de matéria grosseira.

Atentai nisso com todo o cuidado para não torcê-lo ou até torná-lo completamente imprestável por exagero ou unilateralidade! Ao lado das necessárias capacitações de movimento, o aprendizado da atividade certa de seus cérebros representa um papel importante. A primeira fase educacional termina quando a maturidade se inicia, e só então é que deve seguir-se a segunda, a qual deve ensinar o espírito a dominar certo o corpo todo.

Os filhos desses seres humanos terrenos, até os anos de sua maturidade, quando então o espírito se manifesta, sentem, predominantemente, somente de modo enteal. Evidente que interiormente já estão incandescidos pelo espírito. Portanto, não acaso somente como um animal nobre em seu desenvolvimento máximo, porém muito mais até; contudo, mesmo assim é predominante aí o que é do enteal e, por isso, determinante. Cada educador tem de manter isso incondicionalmente em vista; nesse sentido tem de ser severamente orientada a base de uma educação, se o êxito deva ser perfeito e sem prejuízos para uma criança. A criança deve primeiramente obter plena compreensão do grande atuar de tudo quanto é enteal, já que nessa época ela se acha ainda mais aberta para o enteal do que para o espiritual. Assim seus olhos se abrirão cheios de alegria e puros para as belezas da natureza que vê ao seu redor!

As águas, montanhas, florestas, campinas, flores, bem como os animais, tornam-se então familiares a cada criança, e ela ficará solidamente ancorada no mundo, o qual deve oferecer-lhe, para sua existência terrena, o campo de atuação. A criança estará então completamente firme e plenamente consciente na natureza, em toda a atuação enteal, compreensiva, e com isso bem aparelhada e pronta para atuar com o seu espírito, elevando e beneficiando ainda, outrossim, tudo aquilo que está em sua volta como um grande jardim! Só assim pode tornar-se um verdadeiro jardineiro na Criação.

Dessa forma e não diferentemente deve estar cada criança em desenvolvimento, quando seu espírito desabrochar. Sadia de corpo e de alma! Desenvolvida de modo alegre e preparada naquele terreno ao qual cada criança pertence. O cérebro não deve ser sobrecarregado unilateralmente com coisas das quais nem necessita na vida terrena e que lhe exigem muitos esforços para assimilá-las, com o que tem de desperdiçar energia, enfraquecendo o corpo e a alma!

Se, no entanto, a educação primária já consome toda a força, nada mais resta a uma criatura humana para a verdadeira atuação!

Com uma educação certa e preparação para a vida, propriamente dita, o trabalho só se torna alegria, prazer, uma vez que, com isso, tudo na Criação é capaz de vibrar conjuntamente em completa harmonia, e desse modo apóia beneficiando e fortalecendo o desenvolvimento da juventude.

Quão insensatamente agem, porém, os seres humanos com seus descendentes! De que crimes se tornam culpados em relação a eles!

Exatamente quando o espírito desabrocha no corpo da moça, para utilizar o instrumento de matéria grosseira e o de matéria fina a ela confiado e doado, portanto para que se torne verdadeiramente uma criatura humana, a feminilidade da jovem é arrastada para divertimentos terrenos, a fim de… levá-la depressa ao homem!

O espírito, o verdadeiro ser humano, que ainda deve entrar em sua atividade terrena, nem chega aí ao começo e, enfraquecido, tem de presenciar como o raciocínio terreno, treinado de modo exclusivo e errado, só se ocupa com cintilações de lantejoulas, a fim de, na falta de verdadeiro espírito, aparentar espiritualidade, e como é assim arrastado para toda a sorte de coisas impossíveis, requerendo e desperdiçando com isso toda a energia que o instrumento pode dar. Tornam-se finalmente mães, sem antes serem realmente seres humanos!

Por essa razão nada mais resta ao próprio espírito para a atuação. Nem tem possibilidade alguma para tanto!

E com o moço não se dá muito melhor! Está exausto, moído pela sobrecarga escolar, os nervos superexcitados. Oferece ao espírito, em seu desabrochar, apenas um solo doentio, um cérebro supersaturado de coisas inúteis, torcido. Por isso o espírito não pode agir e nem se desenvolver como deve, mas sim se atrofia, ficando completamente esmagado pela carga de entulhos. Apenas resta ainda uma insatisfeita saudade, que deixa pressentir a presença do encarcerado e oprimido espírito humano. Por fim, essa saudade se perde também no turbilhão da lufa-lufa terrena e da avidez, saudade que devia primeiro proporcionar uma ponte sobre esse vazio espiritual, tornando-se depois hábito, necessidade.

É assim que atualmente o ser humano atravessa a vida terrena! E a educação errada tem nisso a maior parte da culpa.

Se o ser humano quiser estar certo aqui na Terra, terá então de ser mudada, categoricamente, a primeira parte do preparo, portanto, sua educação! Deixai nisso as crianças permanecerem realmente crianças! Jamais procureis também equipará-las aos adultos, ou esperar ainda que os adultos devam se orientar segundo as crianças! É um veneno violento que com isso dais às crianças. Pois nas crianças o espírito ainda não desabrochou, sendo principalmente ainda dominadas por sua espécie enteálica, e por essa razão não podem ser consideradas de pleno valor entre os adultos!

As crianças sentem isso muito bem. Não as deixeis desempenhar um papel que lhes tire essa consciência. Assim as faríeis infelizes! Tornar-se-ão inseguras na área firme de sua infância, que lhes cabe, que lhes foi indicada na Criação, ao passo que jamais poderão sentir-se familiarizadas na área dos adultos, visto ainda faltar aí o principal que a isso lhes dá direito e as capacita: a perfeita ligação de seu espírito com o mundo exterior através do corpo.

Vós lhes roubais a verdadeira condição de criança, para a qual, segundo as leis da Criação, têm pleno direito, necessitando até permanentemente dela, porque o vivenciar da infância pertence, incondicionalmente, ao progresso posterior do espírito. Em vez disso já as colocais freqüentemente entre os adultos, onde não podem mover-se, porque para isso falta tudo quanto é necessário. Tornam-se inseguras e precoces, o que naturalmente só pode parecer repulsivo aos adultos, por se apresentar como insano, perturbando a pura intuição, toda a harmonia, pois uma criança precoce é uma fruta onde o caroço ainda não chegou ao amadurecimento, enquanto que o invólucro já se encontra envelhecendo!

Cuidai-vos disso, pais e educadores, pois é crime contra as leis de Deus! Deixai as crianças permanecerem crianças! Crianças que sabem que necessitam da proteção de todos os adultos.

O dever de um adulto é apenas proteger as crianças, proteção que é capaz de dar e que também tem de proporcionar, onde uma criança a mereça.

A criança, em sua espécie enteal, sente intuitivamente muito bem que necessita da proteção dos adultos, e por isso olha-os, respeita-os voluntariamente como retribuição, o que encerra em si a necessidade de apoio, se vós próprios não destruirdes essa lei da natureza!

E vós a destruís, na maioria dos casos! Despojais cada criança de suas intuições bem naturais, através do vosso modo errado que aplicais em relação às crianças, muitas vezes para satisfação própria, porque em grande parte a criança é um brinquedo querido para vós, com o qual quereis alegrar-vos, e a qual prematuramente procurais tornar intelectiva, para poderdes ficar orgulhosos disso!

Nada disso, porém, é de proveito para a criança, pelo contrário, somente prejudica. Já nos primeiros anos, na fase da infância, que tem de ser considerada como primeira parte do seu desenvolvimento, vós tendes de cumprir obrigações mais sérias em relação à criança! Não devem ser decisivos para isso vossos desejos, mas sim as leis da Criação! Estas, porém, condicionam que se deixe cada criança ser criança, em todas as coisas!

O ser humano que foi realmente criança mostrar-se-á também mais tarde de pleno valor como adulto. Mas somente então! E uma criança normal se reconhece já pelo fato de possuir, perante os adultos, o legítimo respeito em seu próprio intuir, que nisso corresponde exatamente à lei da natureza!

Tudo isso cada criança já traz em si como presente de Deus! E desenvolver-se-á, se não o soterrardes. Por conseguinte, deixai as crianças afastadas de onde os adultos conversam, pois não é lugar delas! Devem também, em tal caso, saber sempre que são crianças e como tais ainda não de pleno valor, ainda não maduras para o atuar terreno. Nessas aparentes ninharias há muito mais do que hoje pensais. É o cumprimento de uma lei básica na Criação e à qual muitas vezes não dais atenção. Externamente as crianças, que se encontram, todas, ainda no enteal, precisam disso como um apoio! Conforme a lei do enteal. —

Os adultos devem dar proteção às crianças! Nisso se encontra mais do que dizem somente as palavras; devem, porém, dar proteção também apenas lá onde a criança a mereça. Esse dar proteção não deve realizar-se sem uma retribuição, para que a criança já aprenda, pela experiência, que em tudo tem de haver equilíbrio, havendo nisso harmonia e paz. Também isso a espécie do enteal condiciona.

Exatamente isso, porém, tantos pais e educadores têm negligenciado, não obstante ser condição básica da educação certa, desde que ela deva ser realizada conforme as leis primordiais da Criação. A falta do conceito de equilíbrio absoluto leva qualquer um a vacilar e a cair, não importa se já mais cedo ou só mais tarde. E a consciência da inevitável necessidade desse conceito deve ser inculcada na criança já desde o primeiro dia, para que se torne de tal modo sua propriedade, inserindo-se-lhe completamente na carne e no sangue, tão naturalmente como aprende o senso de equilíbrio de seu corpo, o qual está sujeito, sim, à mesma lei básica!

Se essa tese fundamental for cuidadosamente posta em prática em cada educação, haverá finalmente seres humanos livres, que são do agrado de Deus!

Mas exatamente essa lei básica, a mais indispensável e principal nesta Criação, foi excluída pelas criaturas humanas por toda a parte! Com exceção do senso de equilíbrio do seu corpo terreno, ela não é obedecida nem observada na educação. Isso força a unilateralidade de uma maneira nociva, que faz com que todas as criaturas humanas sigam apenas cambaleando animicamente através da Criação, com constantes tropeços e quedas!

É triste que esse senso de equilíbrio só seja considerado para o corpo terreno como necessidade de todos os movimentos; anímica e espiritualmente, porém, não é cuidado, faltando muitas vezes de modo total. Desde as primeiras semanas deve a criança ser cuidadosamente auxiliada nisso mediante a influência de pressão exterior. A omissão acarretará a cada ser humano medonhas conseqüências para toda a sua existência na lei da reciprocidade!

Olhai somente em redor. Na vida individual bem como na família, nos governos bem como na maneira das igrejas, por toda a parte falta justamente isso, somente isso! E, contudo, encontrais essa lei visivelmente demonstrada por toda a parte, se apenas desejardes ver! Até o corpo de matéria grosseira a revela para vós; vós a encontrais na alimentação e na eliminação, sim, até nas próprias espécies de alimentação, se o corpo deva sentir-se bem, no ajuste entre o trabalho e o descanso, até em todas as minúcias, sem se considerar a já citada lei do equilíbrio que faz com que cada corpo se mova, tornando-o só assim útil para a missão da atuação terrena. Ela mantém e permite existir todo o Universo, pois só no ajustamento do equilíbrio podem os astros, podem os mundos seguir suas órbitas e se manter!

E vós, pequenos seres humanos na Criação, que não sois mais do que uma partícula de pó diante do grande Criador, vós a derrubais por não querer dar-lhe inteira atenção e cumpri-la.

Pôde, sim, suceder que por algum tempo a tivésseis torcido; agora, porém, ela volta rapidamente à forma original e, no regresso rápido, tem de atingir-vos dolorosamente!

Desse erro proveio todo o mal que hoje atinge a Criação. Também nos países o descontentamento torna-se revolta, lá onde, de um lado, falta o equilíbrio certo! Contudo, é apenas uma continuação, o avolumar daqueles erros que o educador comete com a juventude!

O novo reino, o reino de Deus sobre a Terra, criará o equilíbrio e, com isso, uma nova geração! Primeiramente, porém, terá de forçar impiedosamente o verdadeiro conceito de equilíbrio, antes que possa ser compreendido. Forçar pela transformação de todo o torcido, que já agora se processa pela auto-exaustão de todo o falso e insano, impulsionado para isso pelo invencível poder e força da Luz! Seguir-se-á então a dádiva da verdadeira compreensão de todas as leis primordiais da Criação. Esforçai-vos por reconhecê-las direito desde já e estareis certos nesta Criação! O que, por sua vez, como conseqüência, trará para vós somente felicidade e paz.
   
 

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