COSTUMES NATALINOS DE ERAS PASSADAS
O Livro do Juízo Final - Roselis von Sass


"Natal, a ‘Sagrada Noite’, festejado anualmente em memória do nascimento de Jesus, tornou-se nos dias atuais uma comemoração material grosseira, despida de amor. As preces recitadas monotonamente são vazias e os pedidos também nada mais são do que exigências egoísticas de uma humanidade aprisionada a uma crença errada!"


Os cristãos em sua generalidade supõem, hoje, que as festividades do Natal datem apenas do nascimento de Jesus na Terra e que essas comemorações estejam única e exclusivamente em conexão com aquele nascimento.

Tal suposição está errada, naturalmente!

Desde o começo do desenvolvimento da humanidade, anualmente, na época do Natal de hoje, especiais irradiações do amor divino descem para que a sua luz não se apague nas materialidades tão longínquas!

Cada ano o amor de Deus se inclina enviando suas forças de irradiação e inflamando de novo a luz do amor puro em todas as criaturas que têm de se desenvolver e atuar nessas regiões materiais tão distantes!

Essas forças de irradiação do amor divino formam, ao mesmo tempo, pontes de uma espécie à outra, unindo em amor as criaturas entre si!

Através dessas pontes, outrora, os seres humanos estavam ligados aos povos enteais e por isso a felicidade e alegria reinavam também nesses mundos de materialidade!

O dia do nascimento de Jesus não se deu arbitrariamente nessa época. Ele, o portador de irradiações do amor divino, somente poderia nascer numa época em que uma parte dessas irradiações tivesse seu efeito especialmente concentrado na Terra.

"Natal" chama-se a noite em que o Filho de Deus nasceu!... Tem a mesma significação que "Noite Sagrada"!

Os antigos germanos e outros povos nórdicos denominavam a festa que naquela época celebravam, "as doze noites sagradas", pois as festividades duravam geralmente doze dias e doze noites...

Todos os seres humanos, quando ainda ligados à luz, sabiam através de seus auxiliadores espirituais e enteais que nesse período, em que hoje é celebrado o nascimento de Cristo, estendia-se para eles o amor celeste e que deveriam se preparar especialmente para o evento, a fim de participar dessa dádiva do Céu de modo solene e condigno.

Enquanto os seres humanos ainda não portavam em si o estigma de Lúcifer, todas essas festividades, em qualquer forma que fossem realizadas, efetuavam-se condignamente. Sempre se manifestava o seu profundo sentido!

A alegria, a afirmação positiva da vida e o saber do divino amor universal reinando sobre todos os mundos, elevavam-se quais orações de agradecimento para a luz.

Os seres humanos não conheciam então preces e pedidos. Verdadeiros, simples e fiéis viviam na maravilhosa Criação...

Enquanto a luz límpida do amor ainda achava caminho para chegar aos espíritos humanos, todos eram felizes, e abençoadas eram suas atividades. Ricos e abençoados eram também os presentes com que se alegravam mutuamente. Esses presentes de valores inestimáveis, chamavam-se: — "Confiança, sinceridade, verdadeiro amor pelo próximo, amor abnegado..." Contudo, isso já há muito, muito tempo!...

A história da humanidade, conhecida hoje e ensinada nas escolas, descreve na realidade apenas o último capítulo do longo tempo do desenvolvimento humano. O último capítulo anterior ao Juízo!

Os povos conhecidos pela história nos últimos sete mil anos sucumbiram todos eles devido à decadência, à crença errada e às suas hostilidades mútuas.

O que ocorreu antes desse capítulo, antecedendo esses últimos sete mil anos da tragédia humana, não é ainda do conhecimento dos historiadores. Têm encontrado apenas vestígios de idolatria, de poder terreno e de riqueza terrena. As festas que existiam em louvor ao amor divino e em honra da pureza divina desapareceram sob os escombros das idolatrias...

As festividades continuaram, sim, celebradas nas mesmas datas, mas já totalmente destituídas de todo o sentido mais profundo...

Quando Jesus veio à Terra, a maioria dos seres humanos já se achava sob a influência de poderosos servidores de Lúcifer. O assassínio bárbaro do Filho de Deus foi a melhor prova disto!...

A doutrina de Jesus, que a muitos poderia ter trazido salvação e libertação, fora tão falsificada, que da missão do Salvador, propriamente, nada mais restou...

Natal, a "Sagrada Noite", festejado anualmente em memória do nascimento de Jesus, tornou-se nos dias atuais uma comemoração material grosseira, despida de amor. As preces recitadas monotonamente são vazias e os pedidos também nada mais são do que exigências egoísticas de uma humanidade aprisionada a uma crença errada!

De uma humanidade que já desde muito perdeu o paraíso!

Mas no tecer da Criação nada se alterou. Igualmente aos primórdios do desenvolvimento da humanidade, fluem anualmente, na época que os cristãos denominam Natal, irradiações auxiliadoras do amor de Deus, para os mundos da Criação posterior!

Essas irradiações milagrosas apenas ainda são assimiladas alegremente pelos povos enteais, pois os seres humanos, eles próprios, excluíram-se delas... Apesar de todo o amor e cuidados da luz, ainda assim apagou-se a chama de seus espíritos! E não existe força alguma no Universo que possa redespertá-los para a vida!...

Os Povos Ligados à luz

Voltemos agora para algumas descrições das festividades que outrora eram celebradas em louvor ao "amor celeste".

Havia povos que permaneciam por mais tempo ligados à luz e à natureza que os demais. Entre esses estavam os sumerianos que viveram na época pré-babilônica, uma parte dos povos incas e igualmente no Brasil de hoje e no Paraguai viveram até a era do cristianismo habitantes com aquelas ligações.

Agora, já há muito se extinguiram.

No Sião de hoje, chamado também Tailândia, vivia um povo igualmente ligado à luz e aos seres da natureza, que combateu, por mais tempo que outros povos, as correntezas das trevas. Uma parte dos germanos bem como dos celtas também se conservaram puros em sua fé e em seus costumes até a era cristã! O elemento corrompedor somente apareceu com os missionários cristãos em seus países... Também em outras regiões da Terra havia menores agrupamentos populacionais que conservaram um saber puro até a era cristã.

Os sumerianos e parte dos incas tinham muitos costumes em comum, apesar de viverem em locais tão distantes entre si. Seus templos eram baixos e construídos de madeira. Entalhes artísticos ornavam as paredes internas e externas. Apenas os pedestais, que se encontravam no grande recinto do templo, eram de pedra, ornamentados com ouro e pedras preciosas. Nesses pedestais ardiam fogos eternos em incensórios de cobre, de prata ou de pedra.

Todos os povos daquelas épocas amavam os enteais! Mas o Sol e seu regente desfrutavam de uma situação preferencial. Através do Sol recebiam todos os elementos vitais de que o planeta Terra e eles próprios necessitavam. Viam naquele astro um reflexo do amor de seu Criador, ofertando-lhes luz e calor, e proporcionando beleza às suas existências terrenas!

As festividades anuais do Sol que os incas e os sumerianos celebravam durante vários dias, iniciavam-se sempre louvando o amor de Deus, ao qual todos deviam as suas existências.

As preleções proferidas pelos respectivos sacerdotes eram curtas, pois enquanto o raciocínio não predominava nos seres humanos, não eram necessárias muitas palavras para a compreensão mútua. As palavras que seguem transmitem o sentido daquelas breves alocuções:

"Toda a luz dos mundos tem sua origem no onipotente amor de Deus, nosso Criador! Longe, muito longe é onde reina o amor celeste! Nunca nós, seres humanos, que somos os menores na espécie, veremos o semblante do amor celeste! Vemos, porém, o Sol com seu irradiante regente. A luz do sol é um reflexo do amor celeste! Vivemos e respiramos neste reflexo! Permaneçamos dignos para que a luz do amor jamais nos abandone!"

Assim ou de forma aproximada soavam as preleções, sempre porém com o mesmo elevado sentido. O modo de expressão de ambos os povos era naturalmente diferente, como também o desenrolar das festividades era diverso. Assim, por exemplo, vários sacerdotes dos sumerianos esclareciam a festa do Sol com outra definição. Diziam que todos os sóis, os terrenamente visíveis ou os celestes invisíveis, seriam pequenas irradiações de um gigantesco e poderosíssimo Sol que paira em alturas máximas num oceano de luz áurea. Esse grandioso Sol seria o coração do amor de Deus no Universo... As palavras eram diferentes, o sentido, no entanto, o mesmo...

Os dias da festa do Sol eram de alegria jubilosa! Cantavam-se hinos de gratidão e novas músicas eram apresentadas em instrumentos diversos. Havia cirandas infantis e jogos dos quais participavam crianças e adultos.

Também os respectivos sumo-sacerdotes dos Templos do Sol contavam em imagens vivas um ou outro acontecimento ocorrido nos mundos superiores ou entre os enteais. Enriqueciam assim a sabedoria do povo.

Os sumerianos plantavam e presenteavam-se com rosas no decorrer das festividades. Seus Templos do Sol muitas vezes ficavam totalmente cobertos por roseiras vicejantes. Eram rosas de espécies grandes, brancas e vermelhas, e de exuberante perfume.

Essas duas qualidades de roseira eram cultivadas em toda a Ásia Central, já há muitos milênios antes da época de Cristo.

Eram nativas de lá. Na Europa as roseiras somente chegaram quando trazidas pelos guerreiros cruzados cristãos no retorno do Oriente... (...)

As Comemorações dos Romanos

Também os romanos comemoravam, anualmente, em 25 de dezembro, a solenidade do Sol. Contudo, suas festividades do Sol se dirigiam apenas ao "deus do Sol". Não tinham mais senso para algum saber superior. A festa do Sol, romana, já muito antes da era cristã havia se tornado uma espécie de idolatria. Realizavam solenidades de culto que degeneravam em orgias e que não tinham qualquer relação com o regente enteal do Sol...

"Sol invictus", o Sol invencível, diziam os romanos quando se referiam ao Sol.

O imperador Aureliano, porém, pensava de modo diverso. Ele introduziu em Roma o babilônio "Bel"* , como deus do império. Com isso, designava Bel como regente do invencível Sol. Isto ocorreu no dia 25 de dezembro do ano 273 depois de Cristo.

Bel ou Baal significa "senhor". Com essa expressão denominava-se o primeiro e mais forte servo de Lúcifer, que no início do último capítulo da história da humanidade aproximava-se da Terra, para ainda antes do Juízo envenenar aquela parte sadia da humanidade, que não se entregara às crenças errôneas e cultos de idolatria.

Baal detestava os enteais, sobre os quais não exercia nenhum poder. Mas o seu ódio maior destinava-se ao regente do Sol por todos querido. Sabia que nos astros solares vieram a se efetivar irradiações divino-enteais de amor, trazendo em si vida e calor...

Essas irradiações atingiam Bel dolorosamente! Pois atuava na vontade de Lúcifer, seu amo, o inimigo e adversário do amor de Deus, sendo conseqüentemente também hostil à luz e ao amor!

Por toda a parte Bel empurrava Apolo, o regente do Sol, colocando-se indevidamente em seu lugar. No Egito chamava-se "Rê" ou "Ra", sugestionando as sacerdotisas e faraós. Na Grécia aparecia aos videntes como "Hélios", "o deus do Sol", exercendo uma nefasta influência. Sob o seu incentivo, as festas do Sol já não eram mais celebradas em louvor ao amor celeste, e sim em honra dele e de sua igual espécie!...

Esse servo luciferiano atuava com seus auxiliares partindo de uma parte mais fina da matéria grosseira, de uma camada que se situa entre a matéria grosseira pesada e a matéria grosseira mediana. Assim achava-se em ligação direta com a Terra.

Seu influxo concentrava-se principalmente sobre as mulheres terrestres, sem que para isso se esforçasse muito. Elas vinham ao seu encontro, em meio do caminho! Em conseqüência, desencadearam-se a decadência moral, a divulgação de crenças erradas e cultos de idolatria com todas as suas contingências colaterais. As mulheres, e através delas os homens, desligaram-se de tudo o que trazia verdade em si... Tornaram-se infiéis à luz, perdendo assim a ligação com as puras irradiações do amor das luminosas planícies espirituais... A mulher terrena de hoje é o resultado de sua decadência espiritual que se iniciou há muitos milênios...

A Festa das Doze Noites Sagradas

Também os povos germanos e os que viviam outrora na atual Escandinávia celebravam anualmente, aproximadamente na época natalina de hoje, "a festa das doze noites sagradas", ou também "a festa da chegada do amor".

Os seres humanos desse tempo de outrora diziam que no transcorrer das doze noites sagradas desciam "fitas do céu", cada ano de novo, unindo entre si todas as criaturas visíveis bem como as invisíveis...

Essa festividade era celebrada de modo todo especial. Durante todo o seu desenrolar, uma contínua e intensa chama tinha que permanecer acesa diuturnamente na lareira, e diariamente, ao anoitecer, acendia-se uma fogueira ao lado da entrada da casa, que deveria arder até o sol nascer. Esse fogo tinha um duplo sentido. Primeiramente deveria iluminar o caminho que conduzia para a casa e paralelamente seria o sinal visível do amor e calor que unia os moradores dessa casa; com o mesmo amor também seriam recebidos os hóspedes.

No período dessas festividades, doze dias e noites, as portas das moradas permaneciam abertas. Na sala principal da casa achava-se uma mesa ricamente posta. Os alimentos ali colocados consistiam principalmente em dádivas da natureza das respectivas regiões. Frutas frescas e secas, nozes, mel, ovos, sal e grãos de cereais, bem como dois cântaros, um contendo água e outro vinho de mel ou outros vinhos, colocavam-se na mesa convidativamente...

Em outra mesa ao lado e algo menor eram expostos tecidos feitos a mão e vestidos novos, tudo disposto de tal forma, que cada um poderia apreciá-los minuciosamente. Todas as moradas, pequenas e grandes, eram festivamente enfeitadas com galhos e grinaldas verdes.

Durante o dia havia jogos e cantos em que geralmente participavam cantores peregrinos que com suas canções significativas enalteciam a importância da festa.

Os sacerdotes cantavam, de manhã e ao anoitecer, hinos de agradecimento ao Criador que ofertara a vida a todos eles. Vivências e sonhos eram relatados mutuamente. As experiências vivenciais, na maioria das vezes, referiam-se a ocorrências com os enteais... Naquelas épocas, havia ainda muitas pessoas que podiam ver os pequenos e os grandes enteais... Muitas outras coisas existiam então para serem citadas e que se podiam ver em consonância com aqueles dias solenes santificados pelos seres humanos... Mas, o interessante para nós é saber o que ocorria naquelas doze noites e para quem eram destinados os presentes das mesas ricamente postas... Todas as noites era renovada a água dos cântaros, mas nos alimentos ninguém tocava...

Quando a fogueira era acesa ao anoitecer, ao lado das portas, os habitantes da morada reuniam-se na sala onde se encontravam as mesas com os presentes ou oferendas e sentavam-se comodamente com as crianças no colo. Esperavam então os visitantes que reinavam nos domínios da natureza e embora muitos desses regentes fossem tão pequenos como os gnomos das raízes, em nada alterava a recepção. As fitas descendo do céu uniam em amor os seres humanos com os pequenos e grandes regentes da natureza...

E os visitantes vinham: gnomos, fadas silvestres, laren e miren e ainda tantos outros entravam nas habitações humanas nas doze noites sagradas, para alegria de seus moradores que, com amor, deles se lembraram. Os entes do ar sibilavam e assobiavam em torno das casas, para comunicar aos seres humanos que também haviam chegado. Faunos tocavam flautas pelos quintais, jardins e estábulos. Muitas vezes vinham também os koren colocando maçãs aurivermelhas nas mesas dos presentes, e quando esses chegavam, as criaturas humanas ficavam sabendo que a grande mãe da Terra, Gäa, andava inspecionando as povoações humanas...

Silenciosos, mas escutando atentamente, os habitantes das casas observavam as mesas de presentes e as entradas das casas. Entre eles quase sempre havia uma moça, mulher ou então uma criança, que nitidamente podia ver os visitantes. Reproduziam então, narrando baixinho, tudo aquilo que acontecia.

Ainda que a maioria dos moradores não pudesse ver os enteais, sentiam intuitivamente de modo intenso as suas presenças. Rodopiantes correntes de ar faziam-se sentir nas casas, odores aromáticos, tinir de inúmeros sininhos e o tocar de flautas dos faunos eram infalíveis evidências dos visitantes invisíveis...

Os visitantes enteais atravessavam as casas, fitando com riso alegre os produtos da natureza nas mesas ricamente postas. Deixavam correr os grãos de cereais através de suas mãos e, por vezes, os gnomos menores pulavam nas mesas rolando os ovos travessamente para lá e para cá... As miren olhavam e tateavam os trabalhos de tecedura expostos, meneando suas cabeças com alegria e contentamento. Tratava-se de entes femininos de um metro e meio de altura, vestidos de verde e que em tempos remotos ensinaram as mulheres humanas a tecer. Cada ano, novamente, regozijavam-se ao verificar que suas alunas humanas do passado haviam progredido além das expectativas.

Cada um desses invisíveis visitantes trazia uma oferenda, colocando-a nas mesas ricamente arrumadas. Esses presentes consistiam de flores raras, plantas, ervas aromáticas, frutas, bonitas pedras e tantos outros... Poderiam trazer ainda grãos de "metal do Sol"...** Porém, desde que souberam que em outras regiões da Terra o metal áureo havia transformado os seres humanos em criaturas brutais e ávidas, precaviam-se de oferecer esses belos, contudo perigosos, grãos, como presente... pois todos aqueles presentes colocados pelos visitantes enteais, naquelas mesas postas suntuosamente pelos seres humanos, durante as doze noites sagradas, seriam por eles descobertos no decorrer do ano.

Em suas excursões ou passeios, os seres humanos encontravam repentinamente raras flores, plantas aromáticas e ervas terapêuticas. Deparavam igualmente com depósitos de bonitas pedras e minérios em regiões onde nunca haviam presumido que existissem... Resumindo, descobriam, de uma ou de outra maneira, todos os presentes que os enteais lhes haviam proporcionado nas doze noites sagradas.

À meia-noite o circular dos visitantes invisíveis terminava e os moradores das casas iam dormir, exceto os guardas das fogueiras.

As crianças há muito já dormiam nos braços dos seus pais. Contudo, seus corpos de matéria fina, isto é, suas alminhas desprendidas durante o sono de seus corpos de matéria grosseira, levadamente saltavam ao redor dos gnomos, fadas dos bosques, faunos e os demais, acompanhando-os para ficarem mais tempo brincando junto deles...

Rompeu-se a Ligação

Depois, porém, veio a época em que muitos membros desses povos também não mais podiam ser ligados com "as fitas celestes do amor"...

Com a consciência pesada e receosas, muitas pessoas quedavam-se sentadas, em suas casas, durante as doze noites sagradas, esperando com receio a chegada dos visitantes invisíveis... Chegariam?!... As mesas eram ricamente postas, as casas festivamente enfeitadas... externamente tudo era como sempre fora...

Os seres humanos irrequietos, temerosos e com a consciência pesada, aguardavam pelos visitantes de cada ano... mas a espera era quase sempre em vão... Os visitantes nunca mais retornaram... Não podiam vir, pois as horríveis figuras e formas agarradas às criaturas humanas, em especial às mulheres, afugentavam-nos a todos...

Os enteais, sem exceção, temem as formas de inveja, de ciúmes, de avidez e de todos os demais males correlatos que têm a aparência de seres humanos. Fugiam, pois, apavorados, já que de início não concebiam de onde se originavam essas horrendas configurações e por que elas se agarravam às mulheres humanas...

Por toda a parte e entre todos os seres humanos, pouco a pouco, interrompia-se o equilíbrio harmonioso entre o raciocínio e o espírito. O raciocínio ganhara a supremacia e assim o ser humano tornara-se acessível a todas as influências das trevas. À frente de todos: a mulher!...

Assim como em sentido bom ela recebe e sente intuitivamente as irradiações da luz de modo mais intenso, assim também se entregava, no sentido oposto, mais livremente às correntezas negativas que impelem a humanidade inteira para o descalabro.

Romperam-se as fitas celestes do amor que outrora tinham unido as criaturas entre si. A ligação com os mundos enteais cessava de existir.

O ser humano tornava-se "civilizado" e assim sendo os enteais não mais tinham lugar na sua vida... Tornaram-se então figuras de contos de fadas, somente boas para as crianças. Aliás, hoje em dia bem poucas crianças se interessam por "contos de fadas", já que a maioria está ligada a espíritos que desde milênios portam em si o estigma de Lúcifer... (...)

A Festa de Natal

A festa de Natal, chamada também "Festa-Jul", é celebrada anualmente por muitas pessoas e ainda existem vários costumes que, apesar de sua desfiguração, convergem ainda para os tempos idos. Esses costumes, todavia, não podem ser descritos nesta pequena dissertação. "Jul" é uma palavra germana ainda usada na Escandinávia e parcialmente também ao norte da Alemanha.

O nascimento de Cristo somente foi celebrado pela primeira vez em Roma, num 25 de dezembro, quatrocentos anos após sua morte e depois de muitos obstáculos.

Os organizadores católicos romanos juntaram a festa realizada pelos romanos, na mesma data, cognominada "Sol invictus", ao nascimento de Cristo, transferindo inclusive o simbolismo daquela festa... A "festividade pagã do Sol" extinguiu-se com isso... e as comemorações do Natal cristão assim se iniciaram...

A árvore de Natal com as velas acesas surgiu somente por volta do ano 1.600 na Alemanha. Utilizavam-se pequenos buxos em cujas pontas se colocavam velas. As pequenas árvores de buxos, enfeitadas apenas com velas, significavam simbolicamente que em uma noite sagrada viera a luz para a Terra... Mais tarde utilizaram-se de árvores maiores, tipo pinheiro, com a mesma finalidade. Contudo, durante longo tempo as velas continuaram como único enfeite das "árvores de Natal".

Nas árvores de Natal excessivamente enfeitadas de hoje já nada mais indica que numa noite se acendera uma luz na Terra pelo nascimento de Jesus.

No que diz respeito à troca de presentes, pode tratar-se de uma recordação inconsciente das mesas ricamente postas de tempos longínquos, nas quais eram colocados os presentes destinados aos visitantes enteais. E, também, um relembrar das oferendas colocadas em recíproca pelos visitantes, nas mesas para isso destinadas...

Os espíritos humanos permaneceram os mesmos. Muitos daqueles que viviam felizes, na Terra, naqueles tempos, hoje estão aqui novamente reencarnados. Nesse ínterim, apenas se desenvolveram em direção errada, de modo que as recordações também só podem ser falhas e deformadas.

Para concluir e rematar todas essas considerações, nada mais aconselhável que as palavras da Mensagem do Graal, Volume III, dissertação "Natal":

"Quem dentre os fiéis, aliás, já pressentiu a grandeza de Deus, que se patenteia no acontecimento, ocorrido serenamente naquela noite sagrada, através do nascimento do Filho de Deus. Quem pressente a graça que com isso foi outorgada à Terra, como um presente! Se houvesse um mínimo pressentimento da realidade, aconteceria com todos os seres humanos, como com os pastores; sim, não poderia ser diferente, ante tamanha grandeza: cairiam imediatamente de joelhos... por medo! Pois no pressentir teria de surgir primeiramente o medo, de modo intenso, e prostrar o ser humano, porque com o pressentimento de Deus evidencia-se também a grande culpa com que o ser humano se sobrecarregou na Terra, só na maneira indiferente com que toma para si as graças de Deus e nada faz para servir realmente a Deus!"

* Baal
** Ouro.
   
 

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Zoroaster - Zorotushtra - Zaratustra

A vida empolgante do profeta iraniano, Zoroaster, o preparador do caminho Daquele que viria, e posteriormente Zorotushtra, o conservador do caminho. Neste livro são narrados de maneira especial suas viagens e os meios empregados para tornar seu saber acessível ao povo.